Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for
Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes.
Feliz 2009!!!!
quarta-feira, dezembro 31, 2008
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Ensina-nos a contar os nossos dias.
Hoje, intento apenas em dizer poucas palavras. Talvez menos palavras que o de costume, mas acredito que o suficiente ao que sinto lhes falar, pois acredito que o melhor a sentir está no simples momento de o ser e viver.
Nesses dois dias, tenho pensado muito em tudo o que tenho feito, como tenho agido e o que estaria plantando para mais tarde. E muito tenho me entristecido, muito me tem trazido tristeza, pois não tenho sido um “bom rapaz”. Não tenho sido um marido, como deveria ser; não tenho sido um pai, como deveria ser; não tenho sido um colega de trabalho, como deveria ser. E muito certamente, não tenho sido um cristão, como deveria ser.
Tenho trazido importância ao que não tem importância, ou ao que não deveria ser importante, ao que realmente é importante. Ou talvez, tenho colocado um valor, onde não caberiam sequer reles centavos. E nesses dois dias, tenho encontrado o suficiente para me direcionar a agir contrário ao engano como estava agindo, pela a singeleza de viver.
Não quero percorrer o caminho emaranhado da tristeza, que assola o pai, por não ter escolhido escutar o filho e tão conseqüentemente evitado um vício mortal. Não quero abraçar o orgulho, por não ter escolhido pedir perdão, ou perdoar minha esposa, devido uma palavra mal colocada, num momento tempestuoso; Não quero dar as mãos à indiferença, ao ver pessoas famintas e sequiosas; Quero abrir os braços e viver a singela maneira de viver, como Moisés proferiu a Deus:
Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos sabedoria.
(Salmo 90-12)
Vocês se lembram que o Amor (aqui, substantivo próprio) pregou com este versículo na semana passada? Pois bem, quero lançar um novo olhar acerca deste versículo. Mergulhar na densidade da Bíblia, porque ela me possibilita imergir. Mergulhar nas palavras do poeta, nadando nas correntes da interpretação de um outro olhar. Com certeza, o Espírito Santo de Deus utilizou-se do amor, quando ela esteve aqui na frente compartilhando com vocês o que ela tem entendido, e hoje eu os desafio a mergulhar também no oceano da Palavra, que é rica e dinâmica. Lance seu olhar, abra seu coração...
Ponto 1: Ensina-nos a contar os nossos dias
É inevitável buscarmos em nossos pensamentos, momentos em que poderíamos ter mudado o rumo de nossas vidas. Vez por outra tenho me perdido em meio aos meus pensamentos, num dado momento tão meu, que eu poderia ter agido diferente e hoje TALVEZ vivendo momentos melhores. Lembro-me das inúmeras oportunidades que tive nas mãos. Fico amargando as lembranças do passado, que já foram assoladas, pois já se passou. Mas, se eu tivesse esperado mais um pouco, teria dado certo. Se eu tivesse dito sim, hoje seria diferente. Se eu tivesse insistido, talvez minha vida tivesse dado outro rumo. E isso em dado momento me trás amargura, tristeza e melancolia por algo que jaz, que ficou à espreita da porta, à mercê do aquém. Que pediu carona à volta e nem se despediu dos meus desejos. Que permaneceu calada, e nem mesmo me cutucou à espera de uma reação, ao que ficou lá trás. Mas, olha só... Preste atenção, pois eu poderia ter sido isso, ou aquilo. Sabe que nem mesmo sei o que poderia ter sido. Mas... poderia...
O que isso me traz de lucro? O que isso me favorece? O que de valor posso tirar desses momentos de “Madalena Arrependida”, do que eu poderia ter feito?
Muito mais tenho a me alegrar, ver os impulsos pueris de meus dois filhos, que desenfreados correm casa à dentro, num espaço tão pequeno de um apartamento, mas mesmo assim, sentem-se felizes porque podem brincar. Ver o sorriso da Bia, grata porque estou ao seu lado na hora de ir ao banheiro, com medo de estar só. Ver a inquietude do Lipe, saltitante, lépido, porque eu lhe trouxe uma camiseta nova. Ver o Amor feliz porque para ela a minha presença lhe basta, e nem preciso lhe falar nada. Coisas do “amor”!
O que tenho deixado de lado, e não tenho vivido a singeleza de viver, porque tenho me atido ao que já passou? O que tenho deixado passar, porque dei importância à “não” resposta dada no passado, que poderia ter sido diferente, mas não foi? Será que tenho deixado passar o sorriso de meu filho, as lágrimas felizes de minha filha, ou deixado passar aquele abraço gostoso de minha mãe, inebriada pela saudade? Será que tenho deixado alçar vôo aquele abraço amoroso que minha cônjuge ansiava, quando cheguei do trabalho exausto e nem mesmo dei importância? Será que tenho vivido os dias e deixado meus relacionamentos passarem como “a ver navios” guardados em porta-retrato? Ensina-me meu Pai a contar os meus dias, para que eu não permita passar um dia, sem contemplar a beleza de viver. Ensina-me Pai a contar os meus dias e a viver o amor de meu próximo. Ensina-me Pai a contar os meus dias e contemplar a beleza de viver. Ensina-me Pai a dizer sim ao dia, a dizer um simples bom dia.
A vida é rara, só a experimentamos uma vez. Devemos tratá-la como o dom mais sagrado que recebemos de Deus. Quem não souber valorizá-la, antecipa o inferno.
(Pr. Ricardo Gondim, Sem Perder a Alma, pp. 29).
Ponto 2: Para que alcancemos sabedoria.
Estamos lendo o novo livro do Pr. Ricardo Gondim. Lendo-o não como o algoz do Protestantismo, ou muito menos lendo-o como o oráculo da verdade dos crentes, dos Betesdas, ou Betesdianos, mas lendo-o como uma referência cultural de uma igreja cristã, contrária aos abusos exteriores e interiores, lendo-o a sua singeleza de brincar com as palavras, num jeito seguro, cândido, cheio da Graça reveladora de Jesus, na busca sangrenta de viver um cristianismo autêntico e verdadeiro. Busco em suas palavras, reter o máximo que me é possível, mesmo que para amadurecer aquilo que está escrito eu demore anos. Mas, é gostoso enveredar em suas palavras, que me entram vívidas, como se as atitudes, as ações, as decepções a mim pertencesse. Leio-o desprendido dos alicerces duros de um pré-julgamento irresponsável, pois ele me expressa exemplo de um homem sábio.
Leio o blog do Pr. Elienai onde está escrito: A outra maneira de lidar com tempo é a sabedoria. É disso que fala o poeta no Salmo 90: ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos um coração sábio. A sabedoria não chama de belo o que foi feio, nem finge que o mal não aconteceu. Também não se engana com o futuro. Sabe que a vida continua sendo uma mistura de aflição e prazer. Que há coisas que melhoram e coisas que pioram. Mas não se rende a um conformismo suicida. Olha para o que passou e aprende. Olha para o futuro como um tempo não definido e toma as decisões que importam.
O objetivo final de saber contar nossos dias é a sabedoria. “Para que alcancemos sabedoria”, algo contínuo, porque não se alcança sabedoria de um dia para o outro. Saber que a vida é um dom precioso de Deus. Entender que Deus nos proporciona viver, na mais singela beleza de ser, porque há alegria na folha que cai, há alegria no sol que cobre de luz as flores, que há alegria na simplicidade de abrir os nossos olhos, a cada dia. Você e eu temos 365 dias para errarmos e acertarmos, ou pelo menos, consertar o que outrora foi errado. Se não der para consertar, pelo menos tenta de novo, e sorria, você está sendo filmado. Quero deixar com vocês um poema de Carlos Drummond de Andrade, que tem muito a ver com isso tudo:
Cortar o tempo
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e
outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
Deus nos abençoe.
Eládio Batista
Nesses dois dias, tenho pensado muito em tudo o que tenho feito, como tenho agido e o que estaria plantando para mais tarde. E muito tenho me entristecido, muito me tem trazido tristeza, pois não tenho sido um “bom rapaz”. Não tenho sido um marido, como deveria ser; não tenho sido um pai, como deveria ser; não tenho sido um colega de trabalho, como deveria ser. E muito certamente, não tenho sido um cristão, como deveria ser.
Tenho trazido importância ao que não tem importância, ou ao que não deveria ser importante, ao que realmente é importante. Ou talvez, tenho colocado um valor, onde não caberiam sequer reles centavos. E nesses dois dias, tenho encontrado o suficiente para me direcionar a agir contrário ao engano como estava agindo, pela a singeleza de viver.
Não quero percorrer o caminho emaranhado da tristeza, que assola o pai, por não ter escolhido escutar o filho e tão conseqüentemente evitado um vício mortal. Não quero abraçar o orgulho, por não ter escolhido pedir perdão, ou perdoar minha esposa, devido uma palavra mal colocada, num momento tempestuoso; Não quero dar as mãos à indiferença, ao ver pessoas famintas e sequiosas; Quero abrir os braços e viver a singela maneira de viver, como Moisés proferiu a Deus:
Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos sabedoria.
(Salmo 90-12)
Vocês se lembram que o Amor (aqui, substantivo próprio) pregou com este versículo na semana passada? Pois bem, quero lançar um novo olhar acerca deste versículo. Mergulhar na densidade da Bíblia, porque ela me possibilita imergir. Mergulhar nas palavras do poeta, nadando nas correntes da interpretação de um outro olhar. Com certeza, o Espírito Santo de Deus utilizou-se do amor, quando ela esteve aqui na frente compartilhando com vocês o que ela tem entendido, e hoje eu os desafio a mergulhar também no oceano da Palavra, que é rica e dinâmica. Lance seu olhar, abra seu coração...
Ponto 1: Ensina-nos a contar os nossos dias
É inevitável buscarmos em nossos pensamentos, momentos em que poderíamos ter mudado o rumo de nossas vidas. Vez por outra tenho me perdido em meio aos meus pensamentos, num dado momento tão meu, que eu poderia ter agido diferente e hoje TALVEZ vivendo momentos melhores. Lembro-me das inúmeras oportunidades que tive nas mãos. Fico amargando as lembranças do passado, que já foram assoladas, pois já se passou. Mas, se eu tivesse esperado mais um pouco, teria dado certo. Se eu tivesse dito sim, hoje seria diferente. Se eu tivesse insistido, talvez minha vida tivesse dado outro rumo. E isso em dado momento me trás amargura, tristeza e melancolia por algo que jaz, que ficou à espreita da porta, à mercê do aquém. Que pediu carona à volta e nem se despediu dos meus desejos. Que permaneceu calada, e nem mesmo me cutucou à espera de uma reação, ao que ficou lá trás. Mas, olha só... Preste atenção, pois eu poderia ter sido isso, ou aquilo. Sabe que nem mesmo sei o que poderia ter sido. Mas... poderia...
O que isso me traz de lucro? O que isso me favorece? O que de valor posso tirar desses momentos de “Madalena Arrependida”, do que eu poderia ter feito?
Muito mais tenho a me alegrar, ver os impulsos pueris de meus dois filhos, que desenfreados correm casa à dentro, num espaço tão pequeno de um apartamento, mas mesmo assim, sentem-se felizes porque podem brincar. Ver o sorriso da Bia, grata porque estou ao seu lado na hora de ir ao banheiro, com medo de estar só. Ver a inquietude do Lipe, saltitante, lépido, porque eu lhe trouxe uma camiseta nova. Ver o Amor feliz porque para ela a minha presença lhe basta, e nem preciso lhe falar nada. Coisas do “amor”!
O que tenho deixado de lado, e não tenho vivido a singeleza de viver, porque tenho me atido ao que já passou? O que tenho deixado passar, porque dei importância à “não” resposta dada no passado, que poderia ter sido diferente, mas não foi? Será que tenho deixado passar o sorriso de meu filho, as lágrimas felizes de minha filha, ou deixado passar aquele abraço gostoso de minha mãe, inebriada pela saudade? Será que tenho deixado alçar vôo aquele abraço amoroso que minha cônjuge ansiava, quando cheguei do trabalho exausto e nem mesmo dei importância? Será que tenho vivido os dias e deixado meus relacionamentos passarem como “a ver navios” guardados em porta-retrato? Ensina-me meu Pai a contar os meus dias, para que eu não permita passar um dia, sem contemplar a beleza de viver. Ensina-me Pai a contar os meus dias e a viver o amor de meu próximo. Ensina-me Pai a contar os meus dias e contemplar a beleza de viver. Ensina-me Pai a dizer sim ao dia, a dizer um simples bom dia.
A vida é rara, só a experimentamos uma vez. Devemos tratá-la como o dom mais sagrado que recebemos de Deus. Quem não souber valorizá-la, antecipa o inferno.
(Pr. Ricardo Gondim, Sem Perder a Alma, pp. 29).
Ponto 2: Para que alcancemos sabedoria.
Estamos lendo o novo livro do Pr. Ricardo Gondim. Lendo-o não como o algoz do Protestantismo, ou muito menos lendo-o como o oráculo da verdade dos crentes, dos Betesdas, ou Betesdianos, mas lendo-o como uma referência cultural de uma igreja cristã, contrária aos abusos exteriores e interiores, lendo-o a sua singeleza de brincar com as palavras, num jeito seguro, cândido, cheio da Graça reveladora de Jesus, na busca sangrenta de viver um cristianismo autêntico e verdadeiro. Busco em suas palavras, reter o máximo que me é possível, mesmo que para amadurecer aquilo que está escrito eu demore anos. Mas, é gostoso enveredar em suas palavras, que me entram vívidas, como se as atitudes, as ações, as decepções a mim pertencesse. Leio-o desprendido dos alicerces duros de um pré-julgamento irresponsável, pois ele me expressa exemplo de um homem sábio.
Leio o blog do Pr. Elienai onde está escrito: A outra maneira de lidar com tempo é a sabedoria. É disso que fala o poeta no Salmo 90: ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos um coração sábio. A sabedoria não chama de belo o que foi feio, nem finge que o mal não aconteceu. Também não se engana com o futuro. Sabe que a vida continua sendo uma mistura de aflição e prazer. Que há coisas que melhoram e coisas que pioram. Mas não se rende a um conformismo suicida. Olha para o que passou e aprende. Olha para o futuro como um tempo não definido e toma as decisões que importam.
O objetivo final de saber contar nossos dias é a sabedoria. “Para que alcancemos sabedoria”, algo contínuo, porque não se alcança sabedoria de um dia para o outro. Saber que a vida é um dom precioso de Deus. Entender que Deus nos proporciona viver, na mais singela beleza de ser, porque há alegria na folha que cai, há alegria no sol que cobre de luz as flores, que há alegria na simplicidade de abrir os nossos olhos, a cada dia. Você e eu temos 365 dias para errarmos e acertarmos, ou pelo menos, consertar o que outrora foi errado. Se não der para consertar, pelo menos tenta de novo, e sorria, você está sendo filmado. Quero deixar com vocês um poema de Carlos Drummond de Andrade, que tem muito a ver com isso tudo:
Cortar o tempo
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e
outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
Deus nos abençoe.
Eládio Batista
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Não quero ser nenhum dos heróis da Bíblia.
Quando observo a riqueza literária da Bíblia com seus poemas, histórias, epopéias, metáforas e outras e também quando leio os diálogos de Jesus e me coloco a ouvi-los, percebosuas parábolas instigando a imaginação e criatividade de seus ouvintes. Vejo que comunicar o reino de Deus é muito mais profundo do que reproduzir letras.
Percebo que a Palavra de Deus não é como um tipógrafo que apenas carimbou uma história como se repetisse um vicioso círculo. Mas um convite para o uso da imaginação e de toda riqueza da linguagem humana para que se penetre no mundo das palavras e nelas se descubra o tesouro da Palavra de Deus.
Tentar reviver a experiência dos heróis da Bíblia, querer conquistar as mesmas coisas que eles conquistaram, demonstra uma pobreza espiritual que sacrifica a individualidade e contraria todo o esforço de Jesus em revelar a possibilidade de experiência pessoal com Deus.
A possibilidade de escrever uma história singular a partir de si mesmo na companhia de Deus.
Para uma pessoa andar com Deus e ter experiências com Ele, não precisa deixar de ser quem se é. Não é necessário ser um Moisés e ir para um deserto encontrar uma sarça e nem mesmo subir a um monte.
O que Deus pede de cada um se resume à plenitude de si mesmo, revelando somente aquela pessoa que Ele autenticou com sua própria imagem.
Ser a si mesmo com inteireza.
Por isso, eu não quero passar minha vida copiando o jejum de Daniel, a conquista de Gideão, a fé de Abraão, mas desejo ter as minhas próprias experiências com Deus, com tudo aquilo que sei, com o que não sei, com tudo o que tenho e o que não tenho.
Ser como sou pela graça de Deus, e nisto o conhecer.
Os heróis da fé não descobriram a maneira de vencer espiritualmente, eles simplesmente tiveram suas próprias experiências com Deus.
Que bom perceber que Deus aceitou cada um deles, e que graça maravilhosa saber que ele também me recebe.
O jejum de Daniel, os sacrifícios de Davi, a ousadia de Sansão serviram para suas vidas e espiritualidade, mas eles não foram mais amados por Deus.
Eles não obtiveram de Deus a única maneira aceitável. Também não está na Bíblia como uma receita para se dar bem no mundo.
Cada um deles propôs em seu coração servir a Deus e agiu diante das circunstâncias em que se encontrava com aquilo que compreendia da vida e de seus relacionamentos com o Deus da Torá.
O que desejo aprender com cada um dos heróis bíblicos não é convencer Deus e nem vencer o inimigo. Quero aprender a ser inteiro, intenso, dedicado, honrar minha aliança com Deus e levar isto até as últimas consequências.
Quero com eles saber agir diante das circunstâncias com sabedoria, sem precisar fazer de suas experiências a minha receita, mas ter as minhas próprias experiências.
Minha história é válida e tão importante que a levarei para a eternidade.
Lá serei recebido entre amigos, apresentando minhas ações e avaliado pelo meu caráter.
Com tudo o que vivi e vivo, pretendo construir uma eternidade bonita.
Diante de Deus serei plenamente quem sou: Imago Dei.Não quero ser nenhum dos heróis da Bíblia, estou satisfeito comigo mesmo, apesar de todas as minhas fraquezas, sei que Deus me quer bem e para mim isto basta.
Eliel Batista
www.particulasdagraca.blogspot.com
Percebo que a Palavra de Deus não é como um tipógrafo que apenas carimbou uma história como se repetisse um vicioso círculo. Mas um convite para o uso da imaginação e de toda riqueza da linguagem humana para que se penetre no mundo das palavras e nelas se descubra o tesouro da Palavra de Deus.
Tentar reviver a experiência dos heróis da Bíblia, querer conquistar as mesmas coisas que eles conquistaram, demonstra uma pobreza espiritual que sacrifica a individualidade e contraria todo o esforço de Jesus em revelar a possibilidade de experiência pessoal com Deus.
A possibilidade de escrever uma história singular a partir de si mesmo na companhia de Deus.
Para uma pessoa andar com Deus e ter experiências com Ele, não precisa deixar de ser quem se é. Não é necessário ser um Moisés e ir para um deserto encontrar uma sarça e nem mesmo subir a um monte.
O que Deus pede de cada um se resume à plenitude de si mesmo, revelando somente aquela pessoa que Ele autenticou com sua própria imagem.
Ser a si mesmo com inteireza.
Por isso, eu não quero passar minha vida copiando o jejum de Daniel, a conquista de Gideão, a fé de Abraão, mas desejo ter as minhas próprias experiências com Deus, com tudo aquilo que sei, com o que não sei, com tudo o que tenho e o que não tenho.
Ser como sou pela graça de Deus, e nisto o conhecer.
Os heróis da fé não descobriram a maneira de vencer espiritualmente, eles simplesmente tiveram suas próprias experiências com Deus.
Que bom perceber que Deus aceitou cada um deles, e que graça maravilhosa saber que ele também me recebe.
O jejum de Daniel, os sacrifícios de Davi, a ousadia de Sansão serviram para suas vidas e espiritualidade, mas eles não foram mais amados por Deus.
Eles não obtiveram de Deus a única maneira aceitável. Também não está na Bíblia como uma receita para se dar bem no mundo.
Cada um deles propôs em seu coração servir a Deus e agiu diante das circunstâncias em que se encontrava com aquilo que compreendia da vida e de seus relacionamentos com o Deus da Torá.
O que desejo aprender com cada um dos heróis bíblicos não é convencer Deus e nem vencer o inimigo. Quero aprender a ser inteiro, intenso, dedicado, honrar minha aliança com Deus e levar isto até as últimas consequências.
Quero com eles saber agir diante das circunstâncias com sabedoria, sem precisar fazer de suas experiências a minha receita, mas ter as minhas próprias experiências.
Minha história é válida e tão importante que a levarei para a eternidade.
Lá serei recebido entre amigos, apresentando minhas ações e avaliado pelo meu caráter.
Com tudo o que vivi e vivo, pretendo construir uma eternidade bonita.
Diante de Deus serei plenamente quem sou: Imago Dei.Não quero ser nenhum dos heróis da Bíblia, estou satisfeito comigo mesmo, apesar de todas as minhas fraquezas, sei que Deus me quer bem e para mim isto basta.
Eliel Batista
www.particulasdagraca.blogspot.com
A festa da natureza
Chegando o tempo do inverno,
Tudo é amoroso e terno,
Sentindo o Pai Eterno
Sua bondade sem fim.
O nosso sertão amado,
Estrumicado e pelado,
Fica logo transformado
No mais bonito jardim.
Neste quadro de beleza
A gente vê com certeza
Que a musga da natureza
Tem riqueza de incantá
.Do campo até na floresta
As ave se manifesta
Compondo a sagrada orquesta
Desta festa naturá.
Tudo é paz, tudo é carinho,
Na construção de seus ninho,
Canta alegre os passarinho
As mais sonora canção.
E o camponês prazentero
Vai prantá fejão ligero,
Pois é o que vinga premero
Nas terras do meu sertão.
Patativa do Assaré.
Tudo é amoroso e terno,
Sentindo o Pai Eterno
Sua bondade sem fim.
O nosso sertão amado,
Estrumicado e pelado,
Fica logo transformado
No mais bonito jardim.
Neste quadro de beleza
A gente vê com certeza
Que a musga da natureza
Tem riqueza de incantá
.Do campo até na floresta
As ave se manifesta
Compondo a sagrada orquesta
Desta festa naturá.
Tudo é paz, tudo é carinho,
Na construção de seus ninho,
Canta alegre os passarinho
As mais sonora canção.
E o camponês prazentero
Vai prantá fejão ligero,
Pois é o que vinga premero
Nas terras do meu sertão.
Patativa do Assaré.
Obama King Lula da Silva – I (would) have a Dream
Votei no Lula, pela primeira vez, em 1989, enquanto estudava na então Escola Técnica Federal do Ceará. Foi um tempo muito especial da minha vida. Fui criança e adolesci durante a ditadura militar e, então, aos 17 anos, estava ajudando a fazer história. Todos ficávamos ávidos pela chegada do intervalo diário, para exibirmos nossas flâmulas, camisetas e adesivos que usávamos como bótons nas batas, nossa farda. Houve até um aluno do Curso de Estradas que simulou sua própria crucificação, afrontosamente, na frente da casa do Diretor da Escola, localizada no perímetrp da própria ETFCe, com a frase “Ensino Público” em vez de INRI, na plaqueta acima da cabeça. Esse tal reacionário chegava de manhã e somente deixava sua “cruz” à noite. Foi libertador para aquele grupo de jovens que tentava acreditar.
Eu era muito tímido para tentar qualquer atitude mais radical. Apenas ideologizava. Pouco tempo depois, minha namorada, hoje minha esposa, entrou para o curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Ceará e eu, para Letras, na Estadual. Para passarmos mais tempo juntos, assistíamos aulas na faculdade um do outro, como ouvintes. Eu acabei por fazer várias cadeiras do Curso dela. Convivendo, então, com esse ambiente dos ”insatisfeitos”. Daqueles que corriam atrás de suas utopias. Muitos desses ferrenhos opositores do sistema, tornaram-se submissos funcionários públicos, que nem greve fazem.
Hoje, amadurecido e amolecido pela vida, fico procurando no baú de minhas memórias juvenis, onde eu comecei a deixar de acreditar. Quando minhas utopias começaram a morrer? Meu impossível próximo presidente de 19 anos atrás, já está no seu segundo mandato, meu candidato a vereador daquela mesma época, agora é Senador. Eu acompanhava os discursos do cara em uma “radiadora”, no tempo emque a gente lutava por meia passagem e acreditava no Partido Comunista. Por que se perdem os sonhos? Será que eles são realmente alcançáveis? Ou descobrimos que o “sistema” corrompeu nossos sonhos e os transformou em decepção?
Depois de tantos anos, também não consigo mais ter uma análise simplória das realizações dos meus antigos heróis. No entanto, vou dar uma olhada por cima do meu ombro para além das estruturas de governo, em direção aos símbolos humanos. Vou tentar isentar os personagens sobre os quais falarei, retirando-os da conjuntura estratégica elaborada para eles ou a partir deles, e vou concentrar o olhar no mito que eles se tornaram, o ideal que se confunde com o idealizaador. Por mais que as instituições sempre acompanhem cada indivíduo, é exatamente o significado do indivíduo o que estabelece as organizações humanas.
Voltando ao assunto Lula. Diferentemente daquele de ar professoral, admirabilíssimo, intelectual de fluente inglês britânico, Fernando Henrique Cardoso, que era recebido pelos outros estadistas, com ouvidos atentos às suas eloqüentes colocações, principalmente sobre economia e sociologia, o ex-metalúrgico tem sido recebido como uma celebridade; é o símbolo vívido de que a democracia pode, algum dia, deixar de ser uma mera utopia grega. Até as crianças de outros países querem tirar fotografia ao seu lado. Meu ideal de adolescente, recém-iniciado na possibilidade de sonhos, estava satisfeita em sua eleição. Não era, para mim, mais um político recebendo uma faixa (a presidencial); era um sujeito parecido com qualquer parente meu, aqui do nordeste brasileiro. É o signo-homem de sobrenome Silva, como eu.
Em um ambiente cultural completamente diferente, está outro signo-homem. Este, carrega uma responsabilidade de proporções mundiais. O recado que o Obama carrega sobre si é superior à sua capacidade de corresponder aos sonhos idealizados pela nação americana, representados por todas as minorias, que outrora jamais teriam um igual na Casa Branca, como os negros, os latinos, ou até mesmo os homossexuais ou os imigrantes asiáticos. Ele é absolutamente consciente disso e sabe muito bem que seu país, de vez em quando, constrói alguns totens que são erguidos, diante de todas as nações, para trazerem esperança para o país inteiro e seja um memorial de sua grandeza, até mesmo na possibilidade de sua própria reinvenção.
Depois de 1929, na Grande Depressão, os jornalistas saíram a caça desses totens pelos quatro cantos dos Estados Unidos. Assim, encontraram James Braddock, um pugilista decadente que ergueu sua família da completa miséria e recomeçou sua carreira e o Seabiscuit, um cavalo pequeno, que foi livre, por pouco, de ser sacrificado, e, com um jóquei cego de um olho e muito grande para cavalgá-lo se tornou um campeão, na mesma época.
Mas esse havaiano, com nome parecido com o do terrorista tem, a meu ver, a redor de si, uma comoção muitíssimo superior. Ele é quase uma reedição da imagem de Martin Luther King, o idealista. “King” - ele não poderia usar esse nome com mais propriedade. Era realmente admirado como um rei de esperança inexpugnável, autor da frase, hoje utilizada banalmente: I have a Dream (eu tenho um Sonho). Sonho que esperava ser construído por ele próprio. Tenho certeza de que esperava ver, na sua geração, parte de seus ideais radicadamente inicializados. Tornou-se um dos poucos verdadeiros mártires do século XX. Seu significado era maior do que ele.
Eu já não sou ingênuo para acreditar que esses homens: Lula, Obama e Martin, são ou foram o que passaram a significar. Assim como as palavras que criamos deixam de ser simples ferramentas de comunicação oral circunstancial, mudam seus significados, crescentemente ou decrescentemente, dependendo de sua própria utilização, esses homens também têm seus significados alterados com o tempo e de acordo com o julgamento crudelíssimo da mídia e dos intérpretes da história. Ambos, homens e palavras são símbolos daquilo que queremos que eles em nós imprimam. O mesmo acontece até com animais irracionais: um rato pode causar devoção na índia e asco no Brasil. Nossos critérios, quer religiosos, familiares e de inconsciente coletivo são alguns dos recursos que lançamos mão nessa “simbologização”. Mas essa já é uma reflexão para outro momento.
Sob esses signos vivemos e construímos. Às vezes, a morte, como no caso de King ou Gandhi, motivam sonhos e possibilidades. Outras vezes, a perenidade, no caso do cubano Fodel Castro, pode torná-los gastos e obsoletos. Convido o leitor a voltar a acreditar nos significados altaneiros. Num mundo que espera por uma nova Grande Depressão, dessa vez, não mais à sombra de uma Guerra por controle mundial, mas sob um belicismo econômico, tão destrutivo quanto o mais poderoso míssil nuclear, é preciso voltar ao idealismo. Que tal um idealismo que nos faça caminhar um passo de cada vez em direção ao maior do que nós? Quando começamos a andar, no início de nossa vida, cada passo era um quilômetro em direção aos braços de nossos pais. Sem sonhos, sem passos. Sem passos, sem vida.
A idéia de morte está imbutida em cada “não quero mais tentar”, “não quero recomeçar”, ou “nunca mais” que pronunciamos. A diferença entre triunfalismo e idealismo reside nas mentiras que o triunfalista precisa criar para manter seus falsos projetos de pé. O idealista não tenta se enganar, mas resiste nas suas fraquezas. Ideal não precisa ser nacional. É possível ter pequenos focos de esperança, lado a lado com os grandes propósitos existenciais. Eu ousaria usar a frase de Luther King I have a Dream com uma partícula inglesa significante: would, que formaria I would have a Dream. Mesmo com tantas condições atenuantes, até em âmbito mundial, Eu deveria ter um sonho. Deveríamos ser capazes de olhar para acima de nós. Assim, nossos pequenos passos na jornada de nossas vidas podem construir significados, os quais se confundirão conosco próprios, mesmo depois que partirmos.
Nossos ideais serão a nossa vida e serão o significado de nós.
EDNEY MELO
http://edney.wordpress.com/
Eu era muito tímido para tentar qualquer atitude mais radical. Apenas ideologizava. Pouco tempo depois, minha namorada, hoje minha esposa, entrou para o curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Ceará e eu, para Letras, na Estadual. Para passarmos mais tempo juntos, assistíamos aulas na faculdade um do outro, como ouvintes. Eu acabei por fazer várias cadeiras do Curso dela. Convivendo, então, com esse ambiente dos ”insatisfeitos”. Daqueles que corriam atrás de suas utopias. Muitos desses ferrenhos opositores do sistema, tornaram-se submissos funcionários públicos, que nem greve fazem.
Hoje, amadurecido e amolecido pela vida, fico procurando no baú de minhas memórias juvenis, onde eu comecei a deixar de acreditar. Quando minhas utopias começaram a morrer? Meu impossível próximo presidente de 19 anos atrás, já está no seu segundo mandato, meu candidato a vereador daquela mesma época, agora é Senador. Eu acompanhava os discursos do cara em uma “radiadora”, no tempo emque a gente lutava por meia passagem e acreditava no Partido Comunista. Por que se perdem os sonhos? Será que eles são realmente alcançáveis? Ou descobrimos que o “sistema” corrompeu nossos sonhos e os transformou em decepção?
Depois de tantos anos, também não consigo mais ter uma análise simplória das realizações dos meus antigos heróis. No entanto, vou dar uma olhada por cima do meu ombro para além das estruturas de governo, em direção aos símbolos humanos. Vou tentar isentar os personagens sobre os quais falarei, retirando-os da conjuntura estratégica elaborada para eles ou a partir deles, e vou concentrar o olhar no mito que eles se tornaram, o ideal que se confunde com o idealizaador. Por mais que as instituições sempre acompanhem cada indivíduo, é exatamente o significado do indivíduo o que estabelece as organizações humanas.
Voltando ao assunto Lula. Diferentemente daquele de ar professoral, admirabilíssimo, intelectual de fluente inglês britânico, Fernando Henrique Cardoso, que era recebido pelos outros estadistas, com ouvidos atentos às suas eloqüentes colocações, principalmente sobre economia e sociologia, o ex-metalúrgico tem sido recebido como uma celebridade; é o símbolo vívido de que a democracia pode, algum dia, deixar de ser uma mera utopia grega. Até as crianças de outros países querem tirar fotografia ao seu lado. Meu ideal de adolescente, recém-iniciado na possibilidade de sonhos, estava satisfeita em sua eleição. Não era, para mim, mais um político recebendo uma faixa (a presidencial); era um sujeito parecido com qualquer parente meu, aqui do nordeste brasileiro. É o signo-homem de sobrenome Silva, como eu.
Em um ambiente cultural completamente diferente, está outro signo-homem. Este, carrega uma responsabilidade de proporções mundiais. O recado que o Obama carrega sobre si é superior à sua capacidade de corresponder aos sonhos idealizados pela nação americana, representados por todas as minorias, que outrora jamais teriam um igual na Casa Branca, como os negros, os latinos, ou até mesmo os homossexuais ou os imigrantes asiáticos. Ele é absolutamente consciente disso e sabe muito bem que seu país, de vez em quando, constrói alguns totens que são erguidos, diante de todas as nações, para trazerem esperança para o país inteiro e seja um memorial de sua grandeza, até mesmo na possibilidade de sua própria reinvenção.
Depois de 1929, na Grande Depressão, os jornalistas saíram a caça desses totens pelos quatro cantos dos Estados Unidos. Assim, encontraram James Braddock, um pugilista decadente que ergueu sua família da completa miséria e recomeçou sua carreira e o Seabiscuit, um cavalo pequeno, que foi livre, por pouco, de ser sacrificado, e, com um jóquei cego de um olho e muito grande para cavalgá-lo se tornou um campeão, na mesma época.
Mas esse havaiano, com nome parecido com o do terrorista tem, a meu ver, a redor de si, uma comoção muitíssimo superior. Ele é quase uma reedição da imagem de Martin Luther King, o idealista. “King” - ele não poderia usar esse nome com mais propriedade. Era realmente admirado como um rei de esperança inexpugnável, autor da frase, hoje utilizada banalmente: I have a Dream (eu tenho um Sonho). Sonho que esperava ser construído por ele próprio. Tenho certeza de que esperava ver, na sua geração, parte de seus ideais radicadamente inicializados. Tornou-se um dos poucos verdadeiros mártires do século XX. Seu significado era maior do que ele.
Eu já não sou ingênuo para acreditar que esses homens: Lula, Obama e Martin, são ou foram o que passaram a significar. Assim como as palavras que criamos deixam de ser simples ferramentas de comunicação oral circunstancial, mudam seus significados, crescentemente ou decrescentemente, dependendo de sua própria utilização, esses homens também têm seus significados alterados com o tempo e de acordo com o julgamento crudelíssimo da mídia e dos intérpretes da história. Ambos, homens e palavras são símbolos daquilo que queremos que eles em nós imprimam. O mesmo acontece até com animais irracionais: um rato pode causar devoção na índia e asco no Brasil. Nossos critérios, quer religiosos, familiares e de inconsciente coletivo são alguns dos recursos que lançamos mão nessa “simbologização”. Mas essa já é uma reflexão para outro momento.
Sob esses signos vivemos e construímos. Às vezes, a morte, como no caso de King ou Gandhi, motivam sonhos e possibilidades. Outras vezes, a perenidade, no caso do cubano Fodel Castro, pode torná-los gastos e obsoletos. Convido o leitor a voltar a acreditar nos significados altaneiros. Num mundo que espera por uma nova Grande Depressão, dessa vez, não mais à sombra de uma Guerra por controle mundial, mas sob um belicismo econômico, tão destrutivo quanto o mais poderoso míssil nuclear, é preciso voltar ao idealismo. Que tal um idealismo que nos faça caminhar um passo de cada vez em direção ao maior do que nós? Quando começamos a andar, no início de nossa vida, cada passo era um quilômetro em direção aos braços de nossos pais. Sem sonhos, sem passos. Sem passos, sem vida.
A idéia de morte está imbutida em cada “não quero mais tentar”, “não quero recomeçar”, ou “nunca mais” que pronunciamos. A diferença entre triunfalismo e idealismo reside nas mentiras que o triunfalista precisa criar para manter seus falsos projetos de pé. O idealista não tenta se enganar, mas resiste nas suas fraquezas. Ideal não precisa ser nacional. É possível ter pequenos focos de esperança, lado a lado com os grandes propósitos existenciais. Eu ousaria usar a frase de Luther King I have a Dream com uma partícula inglesa significante: would, que formaria I would have a Dream. Mesmo com tantas condições atenuantes, até em âmbito mundial, Eu deveria ter um sonho. Deveríamos ser capazes de olhar para acima de nós. Assim, nossos pequenos passos na jornada de nossas vidas podem construir significados, os quais se confundirão conosco próprios, mesmo depois que partirmos.
Nossos ideais serão a nossa vida e serão o significado de nós.
EDNEY MELO
http://edney.wordpress.com/
Falai de Deus
Falai de Deus
Falai de Deus com a clareza
Da verdade e da certeza
Com um poder
De corpo e alma que não possa
Ninguém, à passagem vossa,
Não o entender.
Falai de Deus brandamente,
Que o mundo se pôs dolente,
Tão sem leis.
Falai de Deus com doçura,
Que é difícil ser criatura:
Bem o sabeis.
Falai de Deus de tal modo
Que por ele o mundo todo
Tenha amor.
À vida é à morte, e, de vê-lo,
O escolha como modelo
Superior.
Com voz, pensamentos e atos
Representai tão exatos
Os reinos seus
Que todos vão livremente
Para esse encontro excelente.
Falai de Deus.
Falai de Deus com a clareza
Da verdade e da certeza
Com um poder
De corpo e alma que não possa
Ninguém, à passagem vossa,
Não o entender.
Falai de Deus brandamente,
Que o mundo se pôs dolente,
Tão sem leis.
Falai de Deus com doçura,
Que é difícil ser criatura:
Bem o sabeis.
Falai de Deus de tal modo
Que por ele o mundo todo
Tenha amor.
À vida é à morte, e, de vê-lo,
O escolha como modelo
Superior.
Com voz, pensamentos e atos
Representai tão exatos
Os reinos seus
Que todos vão livremente
Para esse encontro excelente.
Falai de Deus.
Cecília Meireles
quinta-feira, novembro 27, 2008
Ainda bem
Ainda bem
Esses dias tenho ouvido, mesmo sem opção, minha querida vizinha gosta muito de uma musica do cantor gospel chamado Lázaro:
Ainda bem que eu vou.
Morar no céu.
Ainda bem que eu vou morar com Deus.
O mundo está cheio de horror.
Os mentirosos reinam sem pudor.
Mentes brilhantes planejando o mal.
Mas eu não desanimo pois sou sal
A integridade foi pro além no mundo ninguem ama mais ninguem
Mas ele prometeu que vai voltar, pra nos buscar
Ainda bem...
Restaura a tua casa OH SENHOR
Acabe o show, restaura o louvor
Riqueza e fama agora é a pregação
Já não se fala mais em salvação
O mundo esta tentando enganar
Aquele que o SENHOR virá buscar
Mas permaneço firme com minha cruz
Pois sou luz.
Eu fiquei pensando nessa musica, muitas vezes vivemos alienados do que está acontecendo aqui no mundo porque temos uma falsa percepção celestial.
Não importamos quem será o novo presidente do Estados Unidos da América, agora já sabemos: Obama! deixa isso pra lá; ainda bem que vou morar no céu. Pra que me importar com a crise fincanceira global; Ainda bem que vou morar no céu. Adolescentes com amores doentios; Ainda bem que vou morar no céu. Evangélicos (por que são apenas isso mesmo) se degladiam pra saber qual a doutrina de Deus, como se Deus pudesse adequar-se a doutrina, mas não importa; Ainda bem que vou morar no céu.
Porque não nos importamos com o tempo que passamos aqui no mundo? Visto que é tão pouco. Por que não importamos em viver o Cristo? O evangelho do amor e da graça de Deus? Por que não nos importamos com as necessidades básicas do nosso próximo? Seja ele quem for. Porque julgamos tão ferozmente os de casa? Ainda bem que vou morar no céu...
Nossa mente está focado no futuro, nas “coisas do alto”, mas o que será as “coisas do alto?”
Será que essa “coisas lá do alto” não tem haver com o meu relacionamento com o próximo? Mostrar para os meus filhos o Deus de amor, de perdão, de generosidade? O Deus que se importa com os nossos sentimentos, com as nossas crises? Será que ele sente nossas dores? Conhece minha frustração?
Deus ele está na terra tanto quanto ele está lá no alto, Ele está no meu coração, na minha casa, se divertindo comigo, nos meus conflitos. Ele é presente!
E isso é que devemos viver: o presente! Afinal de contas o futuro é a soma a partir do hoje. O futuro é uma dinâmica, o amanhã é futuro, mas quando ele chegar não o será mais. "A melhor coisa sobre o futuro é que vem um só dia de cada vez." (Abraham Lincoln). Ainda bem que vou morar no céu.
Eu quero que esse céu desça a terra. Eu quero me importa mais com meu próximo do que ficar alucinado em repetições cancionadas de músicas que não tem nada haver com Deus-Amor.
Há uma música que tem o mesmo título: Ainda bem, de Vanessa da Mata, é muito mais cristã. Veja:
Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte.
Precisamos um do outro, nos dias frios, estarmos juntos, nos abraçando, na minha dor, na minha crise, tudo ficará mais fácil se você estiver aqui, as orações, as saídas depois do culto, as conversar no MSN são flores que manda são fato do nosso cuidado e entrega, meu corpo, minha presença, minha companhia sem a sua é parte seria o caso e não sorte e não um presente de Deus.
Salve, Salve, Vanessa da Mata que enriquece nossos corações com sua poesia e nos faz observar o evangelho de Jesus, o evangelho do Amor, na necessidade do Outro.
Perdoe-me os queridos que gostam da musica Ainda bem do cantor Lásaro, esse texto é apenas uma visão pessoal. Sem ofensas!
Por Karynne Batista
Esses dias tenho ouvido, mesmo sem opção, minha querida vizinha gosta muito de uma musica do cantor gospel chamado Lázaro:
Ainda bem que eu vou.
Morar no céu.
Ainda bem que eu vou morar com Deus.
O mundo está cheio de horror.
Os mentirosos reinam sem pudor.
Mentes brilhantes planejando o mal.
Mas eu não desanimo pois sou sal
A integridade foi pro além no mundo ninguem ama mais ninguem
Mas ele prometeu que vai voltar, pra nos buscar
Ainda bem...
Restaura a tua casa OH SENHOR
Acabe o show, restaura o louvor
Riqueza e fama agora é a pregação
Já não se fala mais em salvação
O mundo esta tentando enganar
Aquele que o SENHOR virá buscar
Mas permaneço firme com minha cruz
Pois sou luz.
Eu fiquei pensando nessa musica, muitas vezes vivemos alienados do que está acontecendo aqui no mundo porque temos uma falsa percepção celestial.
Não importamos quem será o novo presidente do Estados Unidos da América, agora já sabemos: Obama! deixa isso pra lá; ainda bem que vou morar no céu. Pra que me importar com a crise fincanceira global; Ainda bem que vou morar no céu. Adolescentes com amores doentios; Ainda bem que vou morar no céu. Evangélicos (por que são apenas isso mesmo) se degladiam pra saber qual a doutrina de Deus, como se Deus pudesse adequar-se a doutrina, mas não importa; Ainda bem que vou morar no céu.
Porque não nos importamos com o tempo que passamos aqui no mundo? Visto que é tão pouco. Por que não importamos em viver o Cristo? O evangelho do amor e da graça de Deus? Por que não nos importamos com as necessidades básicas do nosso próximo? Seja ele quem for. Porque julgamos tão ferozmente os de casa? Ainda bem que vou morar no céu...
Nossa mente está focado no futuro, nas “coisas do alto”, mas o que será as “coisas do alto?”
Será que essa “coisas lá do alto” não tem haver com o meu relacionamento com o próximo? Mostrar para os meus filhos o Deus de amor, de perdão, de generosidade? O Deus que se importa com os nossos sentimentos, com as nossas crises? Será que ele sente nossas dores? Conhece minha frustração?
Deus ele está na terra tanto quanto ele está lá no alto, Ele está no meu coração, na minha casa, se divertindo comigo, nos meus conflitos. Ele é presente!
E isso é que devemos viver: o presente! Afinal de contas o futuro é a soma a partir do hoje. O futuro é uma dinâmica, o amanhã é futuro, mas quando ele chegar não o será mais. "A melhor coisa sobre o futuro é que vem um só dia de cada vez." (Abraham Lincoln). Ainda bem que vou morar no céu.
Eu quero que esse céu desça a terra. Eu quero me importa mais com meu próximo do que ficar alucinado em repetições cancionadas de músicas que não tem nada haver com Deus-Amor.
Há uma música que tem o mesmo título: Ainda bem, de Vanessa da Mata, é muito mais cristã. Veja:
Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte.
Precisamos um do outro, nos dias frios, estarmos juntos, nos abraçando, na minha dor, na minha crise, tudo ficará mais fácil se você estiver aqui, as orações, as saídas depois do culto, as conversar no MSN são flores que manda são fato do nosso cuidado e entrega, meu corpo, minha presença, minha companhia sem a sua é parte seria o caso e não sorte e não um presente de Deus.
Salve, Salve, Vanessa da Mata que enriquece nossos corações com sua poesia e nos faz observar o evangelho de Jesus, o evangelho do Amor, na necessidade do Outro.
Perdoe-me os queridos que gostam da musica Ainda bem do cantor Lásaro, esse texto é apenas uma visão pessoal. Sem ofensas!
Por Karynne Batista
Pensamentos
"Nossa vida é cheia de aflições - relacionamentos rompidos, promessas quebradas, expectativas frustadas. Como podemos viver em meio a tantas aflições sem ficar amargurados e ressentidos, senão voltando sempre a fiel presença de Deus em nossas vidas?" Henri Nouwen
terça-feira, novembro 25, 2008
Acalme minha tempestade
Texto bíblico: Mt 8:23-27
Podemos observar que Jesus, voltando um pouco os versículos anteriores, que o Senhor vinha já de muitos acontecimentos. A cura de endemoninhados; A cura da sogra de Pedro; A cura do criado do centurião; E naquele momento, Ele e seus discípulos atravessavam o lago da Galiléia em direção Gadara. Jesus tirava um cochilo. Descansava depois de vários milagres e muitas caminhadas. Nada mais natural e oportuno. O corpo já não respondia, depois de tantos acontecimentos. Fico imaginando aqueles discípulos todos. Ali, próximos a Jesus. Acredito que todos sentiam grande confiança e segurança. Afinal de contas estava ali o Senhor. Encarnado. De carne e osso. E acometeu-lhes uma violenta tempestade, e todos ficaram inquietos e com medo, muito embora ali estivesse Jesus, não bastaram-lhes sua presença. Era necessário que ele fizesse algo. Afinal de contas a tempestade era violenta. Imagine você essa tempestade. Os discípulos deviam estar tremendamente atemorizados, com tanta água caindo sobre eles. O balançar do barco. E eles nada podiam fazer. Simplesmente aquele que ali estava dormindo. Muitas vezes, temos a certeza de Deus de confiarmos Nele, mas mesmos cônscios de sua existência, e convictos em nossos corações, não conseguimos acreditar que nossos problemas e dificuldades poderão ser solucionados. Queridos, quantas vezes ele têm nos dado certeza? Mostrado que é possível seguir adiante e que a nós, acreditar é o bastante. Assim, como os discípulos que tinham Jesus ao seu lado, mas sua presença não foi suficiente para eles acreditarem que aquela tempestade se acalmaria. Era preciso que o Senhor acordasse e fizesse a tempestade acalmar. Eram homens de pequena fé. Assim, como nós. Que titubeamos. Que não acreditamos que Jesus Cristo é o Senhor. Como a Elem falou no domingo. “Deus não conta com pessoas perfeitas”. Mas digo-lhes, é preciso acreditar. Jesus acalmou a tempestade. Será preciso que Ele se materialize para que você creia que tudo é possível àquele que crê?
Os discípulos ficaram extasiados quando Jesus acalmou a tempestade. Os ventos e o mar obedeceram a ele. Fico imaginando aquela cambada de discípulo. Todos tremendo. E num simples gesto do Senhor, maravilhados com poder e com o que Jesus pudera fazer. Eu acredito que eles não mensuravam quem estava ali ao lado deles. Pois, do contrário, não teriam sido incrédulos diante do episódio da tempestade. Estariam eles quietos, inapreensíveis, pois criam em Jesus e aquela tempestade se acalmaria rapidinho, bastando-lhes apenas crer e aguardar. Nós agimos com incredulidade. Acreditamos duvidando que é possível encontrar uma solução para nossos problemas. E deixamos de lado, realmente a quem servimos. Esse Deus grandioso. Poderoso. Pai. Tempestades existirão. Dificuldades e problemas. Mas, melhor vivenciá-los convictos de que o Senhor é Deus.
Por Eládio Batista
Podemos observar que Jesus, voltando um pouco os versículos anteriores, que o Senhor vinha já de muitos acontecimentos. A cura de endemoninhados; A cura da sogra de Pedro; A cura do criado do centurião; E naquele momento, Ele e seus discípulos atravessavam o lago da Galiléia em direção Gadara. Jesus tirava um cochilo. Descansava depois de vários milagres e muitas caminhadas. Nada mais natural e oportuno. O corpo já não respondia, depois de tantos acontecimentos. Fico imaginando aqueles discípulos todos. Ali, próximos a Jesus. Acredito que todos sentiam grande confiança e segurança. Afinal de contas estava ali o Senhor. Encarnado. De carne e osso. E acometeu-lhes uma violenta tempestade, e todos ficaram inquietos e com medo, muito embora ali estivesse Jesus, não bastaram-lhes sua presença. Era necessário que ele fizesse algo. Afinal de contas a tempestade era violenta. Imagine você essa tempestade. Os discípulos deviam estar tremendamente atemorizados, com tanta água caindo sobre eles. O balançar do barco. E eles nada podiam fazer. Simplesmente aquele que ali estava dormindo. Muitas vezes, temos a certeza de Deus de confiarmos Nele, mas mesmos cônscios de sua existência, e convictos em nossos corações, não conseguimos acreditar que nossos problemas e dificuldades poderão ser solucionados. Queridos, quantas vezes ele têm nos dado certeza? Mostrado que é possível seguir adiante e que a nós, acreditar é o bastante. Assim, como os discípulos que tinham Jesus ao seu lado, mas sua presença não foi suficiente para eles acreditarem que aquela tempestade se acalmaria. Era preciso que o Senhor acordasse e fizesse a tempestade acalmar. Eram homens de pequena fé. Assim, como nós. Que titubeamos. Que não acreditamos que Jesus Cristo é o Senhor. Como a Elem falou no domingo. “Deus não conta com pessoas perfeitas”. Mas digo-lhes, é preciso acreditar. Jesus acalmou a tempestade. Será preciso que Ele se materialize para que você creia que tudo é possível àquele que crê?
Os discípulos ficaram extasiados quando Jesus acalmou a tempestade. Os ventos e o mar obedeceram a ele. Fico imaginando aquela cambada de discípulo. Todos tremendo. E num simples gesto do Senhor, maravilhados com poder e com o que Jesus pudera fazer. Eu acredito que eles não mensuravam quem estava ali ao lado deles. Pois, do contrário, não teriam sido incrédulos diante do episódio da tempestade. Estariam eles quietos, inapreensíveis, pois criam em Jesus e aquela tempestade se acalmaria rapidinho, bastando-lhes apenas crer e aguardar. Nós agimos com incredulidade. Acreditamos duvidando que é possível encontrar uma solução para nossos problemas. E deixamos de lado, realmente a quem servimos. Esse Deus grandioso. Poderoso. Pai. Tempestades existirão. Dificuldades e problemas. Mas, melhor vivenciá-los convictos de que o Senhor é Deus.
Por Eládio Batista
Jonas, a partir de mim!Caminhando paralelamente nossas ações com as de Jonas.

Vivemos uma era de grandes avanços. Avanço da tecnologia. O mundo dos ipods, mp4, iphones, das tvs digitais que nos anelam a rapidez do cotidiano, uma bagatela de eletrônicos que nos apressam para o mundo do agora, do já. O avanço da ciência, das imposições de querer nas fertilizações artificiais, que poderemos escolher o sexo de nossos futuros filhos, nas audaciosas e senão desafiadoras experiências de clonagem. O avanço da cultura, que possibilita a junção de um desejo não admitido, a união “homo”. Mas, disfarça-se em meio às leis. O avanço do agora, dos meus desejos que deverão ser alcançados, pois nutrirão a minha vaidade. Um carro, um par de tênis. O desejo de “ser” alguma coisa. Ter um diploma, o que já não é o suficiente. Ter uma especialização, que se tornou comum. Ter um mestrado, MBA, pós-doutorado. Esse novo curso de vida que nos aprisiona, num ser desenfreado, e quando os alcançamos, e aí qual será meu próximo passo? O avanço de um descompromisso com meu próximo, com meu cônjuge, com meus amigos, e porquê não dizer o descompromisso com meus filhos, já que muitas vezes, senão todas colocamos a nossa responsabilidade de pais em cima de seus professores. A vida perdeu seu sentido, porque o que me importa agora é encontrar o meu bem-estar. Perguntas como: Quem sou? De onde vim? Por que estou aqui? perderam todo o sentido. Pois, o agora, me condiciona a como melhorar minha, tão minha, exclusivamente minha, existência pessoal. A era do hedonismo. Perdeu-se o valor que tínhamos do homem com caráter, do homem com palavra, pois hoje tudo é vulnerável. “No âmbito evangélico, percebemos que os modelos de espiritualidade e de liderança ou são superficiais ou, se tem profundidade, nem por isso tem dado certo. E a ansiedade de construir em novo modelo tem nos levado à insegurança. Mas temos de compreender que toda mudança de paradigmas requer estabelecimento de parâmetros. E quais serão os parâmetros de referencias para nosso modelo de espiritualidade e de liderança cristã? Que seja a própria necessidade de relacionamento existente na estrutura humana. Temos de optar entre dois paradigmas: o que aponta para o modelo de mercado – neoliberal e globalização – ou o que aponta para o exemplo de Jesus – da aproximação, dos olhos nos olhos, da amizade desinteressada, de relacionamentos significativos, de uma percepção mais real do mundo, de nós mesmos e da nossa vocação”.
Em meio a todos esses argumentos, Deus levou-me a compartilhar acerca de Jonas, que tenho grande apreço e empatia. Vamos juntos?
1. Ponto:
Deus entregou em minhas mãos uma incumbência, uma tarefa a ser desenvolvida por mim, exclusivamente por mim (Jn 1:1,2).
“Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.”
Jonas, filho de Amitai, recebeu uma missão do Senhor para ir à cidade de Nínive, capital do império assírio, ao Nordeste da Palestina. Recebeu a missão de abrir os olhos de Nínive, quanto às suas práticas, contra os seus pecados. Deus presenteou a Jonas a tarefa de ver uma cidade arrependida de seus pecados, mas para ele aquela missão não era agradável, não havia chegado ao seu coração. Era mais fácil para ele, tentar esconder-se do Senhor. Ingenuamente, desvencilhar-se dos desígnios que o Senhor, expressando caracteres tão seus, peculiares, de misericórdia e compaixão, com os quais dispusera à cidade de Nínive.
O que me leva a pensar, queridos, quantas vezes Deus, em muitas situações nossas de dificuldade, de desesperança, Ele nos tem indicado um caminho a seguir, uma maneira a ser feita, e nós na nossa particular e exclusiva vontade de mudar comissões, porque nós achamos que da nossa maneira será melhor, melhor até que a maneira que Deus nos dissera, agimos como nos convém. E em conseqüência dessa minha atitude, eu tenho colocado a vida de muitas pessoas em jogo. Assim como Jonas colocou a vida dos marinheiros. E você pode observar comigo, no versículo 4: “Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar.”
Eu tenho escolhido, da minha maneira, não da maneira do Senhor, e até mesmo nem tenho chegado a ele e dito: - “Senhor, muda o meu coração. Não acredito que dessa forma, que o Senhor tem me dito, irá dar certo. Mas, muda essa forma de pensar e até mesmo muda esse sentimento do meu coração.”
E ainda tenho procurado sempre agir do meu jeito, pois assim é mais seguro. Fui eu. E assim, penso eu, que Jonas pensou. Fugiu para Társis, escondeu-se em um navio. Pagou, e acho até que não pagou barato! Foi esconder-se no porão, o lugar mais baixo, o mais profundo, sujo, escuro, e aquele lugar lhe daria conforto. Conforto de sentimento, pois assim que ele se via, no mais profundo, no mais sujo, no mais escuro abismo. Achando que Deus ali não poderia ir, e nem poderia entrar em seu profundo sono.Talvez seria o melhor lugar para esconder-se do Senhor. E foi tirar um cochilo - o sono da “descomunhão” divina. Talvez, para ele, dormir seria a melhor saída, pois assim agiu. E quantas vezes nós nos escondemos de Deus, procuramos dormir assim como Jonas, esconder-se em uma cidade qualquer, crendo que essa mudança me trará paz e assim Deus não me perturbará novamente com essa missão. Talvez Ele se esquecerá. E assim me deixará em paz. E em detrimento ao pensamento de meu admirável Jonas, o salmista Davi, no capítulo 139, versos 9 ao verso 13 “Se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas, não te serão escuras: as trevas e a luz são mesma coisa. Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio da minha mãe.” Não existe lugar onde Deus não possa nos encontrar, pois Ele conhece o mais profundo, conhece o nosso coração.
2. Ponto:
Deus, em meio a minha desobediência de não fazer conforme a sua vontade, me oportuna uma nova chance (Jn 3:1-2).
“Veio a palavra do Senhor, SEGUNDA VEZ, a Jonas, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo. Levantou-se, pois, Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor.”
Era preciso uma atitude para que todos aqueles acontecimentos parassem. É preciso que façamos algo, pois do contrário pereceremos. Assim os tripulantes do navio pensavam, pois ali tinham a certeza de que não haviam feito nada, para que sobreviesse aquele mal. E o mestre do navio encontrou Jonas escondido, mergulhado à sua desobediência, tentando escapar, se assim fosse possível, da missão que Deus havia lhe ordenado. Interpelou-o acerca daquela situação, pois eles sabiam que Jonas estava se escondendo da presença do Senhor. Clamaram ao Senhor e então resolveram jogá-lo no mar e imediatamente o mar cessou. Jonas foi tragado por um grande peixe, passando ali três dias e três noites, e só então, naquela situação Jonas orou ao Senhor. Imagine o que Jonas estava passando dentro daquele peixe? O mal cheiro do interior do peixe, a escuridão, os restos de comida, toda a sujeira interior? Jonas era bem narrativo quanto a sua ida à Nínive. Mas, em nenhum momento descreveu o tempo em que estava dentro do peixe. Devia ser algo muito difícil para ele como ser humano. E a única pessoa que Jonas pôde expressar toda a sensação, todo o sentimento que vivera dentro do peixe, em meio a toda angústia de não morrer, era apenas Deus. Jonas fugiu da presença de Deus e escondeu-se no mais profundo do navio, o porão. Mas, foi no mais profundo asco, dentro do peixe, que Jonas mergulhou na presença de Deus. Clamou Jonas a Deus e assim o Senhor falou ao peixe e este vomitou a Jonas na terra. Até mesmo para o peixe, toda a sensação de ânsia, desconforto estomacal, náuseas, era difícil. Naquele momento de súplica de Jonas, era preciso o reconhecimento de seu pecado, de sua desobediência. E assim, o Senhor mais uma vez (Acredito eu que o Senhor estava ansioso por aquele momento!) deu a Jonas uma segunda chance. A chance de ir a Nínive e adverti-la de suas atitudes erradas.
Deus está ao nosso lado sempre, mesmo que nós escolhamos a opção errada, e até mesmo, escolhamos a pior das opções, a que não é a sua, Ele está ansioso para nos tomar pelas mãos e nos dar uma nova oportunidade, mas para isso é preciso o nosso reconhecimento de pecado e o entendimento de quem é Deus. Eu não sei se todos, ou alguns, já pensou por um segundo a oportunidade de ser Deus. Talvez, pela minha justiça de homem, que em meio ao caos, gostaria de ser Deus e assim resolver uma situação, conforme a minha noção de justiça. Mas, se por um segundo você tivesse o olhar de Deus, ou o sentimento de Deus, isso mudaria eternamente a sua vida. Pois, assim, você passaria a ver com os olhos de Deus todo o pecado. Imagine como Deus ver uma prostituta que está nas ruas vendendo o corpo? Adolescentes se perdendo no mundo das drogas? Ou aquela pessoa aparentemente boa, religiosa, que ainda não encontrou verdadeiramente DEUS? Por um segundo, vários missionários tiveram essa percepção de Deus e estão aí em países fechados, entregues à causa de Deus. Minha cunhada tem 21 anos, e sempre em Deus procurou obedecê-lo. Hoje, está em Curitiba, na base da JOCUM em Uberaba, fazendo treinamento para viajar numa rota chamada JUSTIÇA, e viajar por algumas cidades da China, Laos, Minamar e outros. Por um segundo, ela viu como Deus ver o pecador e isso foi o suficiente para mudar radicalmente a sua vida. Os ninivitas se arrependeram de suas atitudes. E uma cidade foi salva, pelo intermédio e obediência de um, Jonas. Você vai escrever seu nome nesta lista também? Ou vai perder também a sua segunda chance?
3. Ponto:
Deus estende a sua misericórdia e compaixão a todas as suas criaturas (Jn 4:10,11)
Tornou o Senhor: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e uma noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?
Deus faz nascer uma planta para livrar Jonas de seu desconforto. Dar um pouco de paz a Jonas depois de seus esforços e também de sua decepção, pois Deus se arrependera do mal que faria a cidade de Nínive, pois eles se arrependeram.
Deus manda um verme, que feri a planta até secá-la por completo e manda um vento calmoso oriental. O sol bate a cabeça de Jonas, de maneira que o desfalece e Jonas para si pede a morte. Descontente pelo que Deus havia lhe feito, tirando aquela árvore, Jonas prefere a morte. O “macho” mimado, como se fala aqui no Ceará. Egoísta, querendo que tudo se volte para si. Deus o pede para ir a Nínive, em primeira comissão, e prefere ir para outro lugar, achando que assim poderia fugir da presença de Deus, que Deus poderia deixá-lo em paz. E tudo aquilo acontece, alvoroço no mar, ventos fortes, Jonas é arremessado no mar e engolido por um peixe enorme e só ali, naquela situação asquerosa reconhece que agiu errado e assim redime-se com Deus. É dado a ele uma nova oportunidade de ir a Nínive e abrir-lhe os olhos, e assim o fez, mesmo entristecendo-se depois, pois desde então sabia que Nínive se arrependeria e Deus não mais lhe enviaria o mal. E nós sabemos que Deus em nenhum momento precisa de nós, mas a sua compaixão e misericórdia são tremendas que ele tem o prazer e a alegria de nos fazer participantes, dando-nos o privilégio de falar a partir da mudança em nós, do seu amor. Deus poderia ter alcançado Nínive sem a participação de Jonas. É óbvio! Mas, para Deus alcançar Nínive teria um sentido melhor se houvesse a intermediação daquele profeta, mesmo pecador, nutrido pelo egoísmo, restrito, falho, etc. Jonas tanto foi o missionário, quanto o alvo da missão. Durante esse tempo que fora comissionado, ele viu a misericórdia e compaixão de Deus para com Nínive, mas não conseguia enxergar que Deus também tinha misericórdia e compaixão dele. Engraçado que Jonas mesmo vivenciado várias situações da misericórdia de Deus, Jonas não conseguia mensurar que para Deus ainda era possível enviar-lhe algo que pudesse trazer-lhe novamente conforto, mas preferiu murmurar. Dar grande valor a uma planta, para seu próprio “frisson”, que nem foi fruto de seu trabalho, ao invés de valorizar as cento vinte mil ninivitas que o próprio Deus criara e conhecia. Não sabemos se Jonas teve alguma outra missão, mas sabemos que Jonas a partir de então passara a se questionar acerca da misericórdia e compaixão de Deus e também sua, pois a frase que encerra o livro de Jonas deve ter ecoado em sua mente, durante anos. Toda vez, que se via murmurando, egoísta ou desobediente essa pergunta “Eu não hei de ter compaixão?” ecoava em sua mente e impulsionava a cumprir a vontade de Deus.
Deus entregou em nossas mãos uma incumbência. Talvez, eu não a tenha cumprido, ou até mesmo agido como Jonas agiu. Preferi esconder-me em meio aos meus pensamentos, por em risco a vida de alguém, pois somente eu e Deus sabemos. Mas, hoje Deus quer lhe dar uma nova chance. A chance de se redimir e fazer conforme a sua vontade, a vontade Deus. Jonas teve a missão de abrir os olhos de Nínive. Eu não sei para que Deus tem lhe chamado, mas sei que Deus tem lhe chamado para uma vida de compromisso com Ele, de intimidade. A você se olhar, e ver que tem muito a mudar, a se arrepender, e hoje Ele que te dar a segunda chance. Como no final do livro, Jonas foi o alvo da missão de Deus, de mostrar-lhe a sua misericórdia e compaixão. Você hoje está disposto a sentir a compaixão de Deus e cumprir essa segunda chance?
Por Eládio Batista
Em meio a todos esses argumentos, Deus levou-me a compartilhar acerca de Jonas, que tenho grande apreço e empatia. Vamos juntos?
1. Ponto:
Deus entregou em minhas mãos uma incumbência, uma tarefa a ser desenvolvida por mim, exclusivamente por mim (Jn 1:1,2).
“Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.”
Jonas, filho de Amitai, recebeu uma missão do Senhor para ir à cidade de Nínive, capital do império assírio, ao Nordeste da Palestina. Recebeu a missão de abrir os olhos de Nínive, quanto às suas práticas, contra os seus pecados. Deus presenteou a Jonas a tarefa de ver uma cidade arrependida de seus pecados, mas para ele aquela missão não era agradável, não havia chegado ao seu coração. Era mais fácil para ele, tentar esconder-se do Senhor. Ingenuamente, desvencilhar-se dos desígnios que o Senhor, expressando caracteres tão seus, peculiares, de misericórdia e compaixão, com os quais dispusera à cidade de Nínive.
O que me leva a pensar, queridos, quantas vezes Deus, em muitas situações nossas de dificuldade, de desesperança, Ele nos tem indicado um caminho a seguir, uma maneira a ser feita, e nós na nossa particular e exclusiva vontade de mudar comissões, porque nós achamos que da nossa maneira será melhor, melhor até que a maneira que Deus nos dissera, agimos como nos convém. E em conseqüência dessa minha atitude, eu tenho colocado a vida de muitas pessoas em jogo. Assim como Jonas colocou a vida dos marinheiros. E você pode observar comigo, no versículo 4: “Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar.”
Eu tenho escolhido, da minha maneira, não da maneira do Senhor, e até mesmo nem tenho chegado a ele e dito: - “Senhor, muda o meu coração. Não acredito que dessa forma, que o Senhor tem me dito, irá dar certo. Mas, muda essa forma de pensar e até mesmo muda esse sentimento do meu coração.”
E ainda tenho procurado sempre agir do meu jeito, pois assim é mais seguro. Fui eu. E assim, penso eu, que Jonas pensou. Fugiu para Társis, escondeu-se em um navio. Pagou, e acho até que não pagou barato! Foi esconder-se no porão, o lugar mais baixo, o mais profundo, sujo, escuro, e aquele lugar lhe daria conforto. Conforto de sentimento, pois assim que ele se via, no mais profundo, no mais sujo, no mais escuro abismo. Achando que Deus ali não poderia ir, e nem poderia entrar em seu profundo sono.Talvez seria o melhor lugar para esconder-se do Senhor. E foi tirar um cochilo - o sono da “descomunhão” divina. Talvez, para ele, dormir seria a melhor saída, pois assim agiu. E quantas vezes nós nos escondemos de Deus, procuramos dormir assim como Jonas, esconder-se em uma cidade qualquer, crendo que essa mudança me trará paz e assim Deus não me perturbará novamente com essa missão. Talvez Ele se esquecerá. E assim me deixará em paz. E em detrimento ao pensamento de meu admirável Jonas, o salmista Davi, no capítulo 139, versos 9 ao verso 13 “Se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas, não te serão escuras: as trevas e a luz são mesma coisa. Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio da minha mãe.” Não existe lugar onde Deus não possa nos encontrar, pois Ele conhece o mais profundo, conhece o nosso coração.
2. Ponto:
Deus, em meio a minha desobediência de não fazer conforme a sua vontade, me oportuna uma nova chance (Jn 3:1-2).
“Veio a palavra do Senhor, SEGUNDA VEZ, a Jonas, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo. Levantou-se, pois, Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor.”
Era preciso uma atitude para que todos aqueles acontecimentos parassem. É preciso que façamos algo, pois do contrário pereceremos. Assim os tripulantes do navio pensavam, pois ali tinham a certeza de que não haviam feito nada, para que sobreviesse aquele mal. E o mestre do navio encontrou Jonas escondido, mergulhado à sua desobediência, tentando escapar, se assim fosse possível, da missão que Deus havia lhe ordenado. Interpelou-o acerca daquela situação, pois eles sabiam que Jonas estava se escondendo da presença do Senhor. Clamaram ao Senhor e então resolveram jogá-lo no mar e imediatamente o mar cessou. Jonas foi tragado por um grande peixe, passando ali três dias e três noites, e só então, naquela situação Jonas orou ao Senhor. Imagine o que Jonas estava passando dentro daquele peixe? O mal cheiro do interior do peixe, a escuridão, os restos de comida, toda a sujeira interior? Jonas era bem narrativo quanto a sua ida à Nínive. Mas, em nenhum momento descreveu o tempo em que estava dentro do peixe. Devia ser algo muito difícil para ele como ser humano. E a única pessoa que Jonas pôde expressar toda a sensação, todo o sentimento que vivera dentro do peixe, em meio a toda angústia de não morrer, era apenas Deus. Jonas fugiu da presença de Deus e escondeu-se no mais profundo do navio, o porão. Mas, foi no mais profundo asco, dentro do peixe, que Jonas mergulhou na presença de Deus. Clamou Jonas a Deus e assim o Senhor falou ao peixe e este vomitou a Jonas na terra. Até mesmo para o peixe, toda a sensação de ânsia, desconforto estomacal, náuseas, era difícil. Naquele momento de súplica de Jonas, era preciso o reconhecimento de seu pecado, de sua desobediência. E assim, o Senhor mais uma vez (Acredito eu que o Senhor estava ansioso por aquele momento!) deu a Jonas uma segunda chance. A chance de ir a Nínive e adverti-la de suas atitudes erradas.
Deus está ao nosso lado sempre, mesmo que nós escolhamos a opção errada, e até mesmo, escolhamos a pior das opções, a que não é a sua, Ele está ansioso para nos tomar pelas mãos e nos dar uma nova oportunidade, mas para isso é preciso o nosso reconhecimento de pecado e o entendimento de quem é Deus. Eu não sei se todos, ou alguns, já pensou por um segundo a oportunidade de ser Deus. Talvez, pela minha justiça de homem, que em meio ao caos, gostaria de ser Deus e assim resolver uma situação, conforme a minha noção de justiça. Mas, se por um segundo você tivesse o olhar de Deus, ou o sentimento de Deus, isso mudaria eternamente a sua vida. Pois, assim, você passaria a ver com os olhos de Deus todo o pecado. Imagine como Deus ver uma prostituta que está nas ruas vendendo o corpo? Adolescentes se perdendo no mundo das drogas? Ou aquela pessoa aparentemente boa, religiosa, que ainda não encontrou verdadeiramente DEUS? Por um segundo, vários missionários tiveram essa percepção de Deus e estão aí em países fechados, entregues à causa de Deus. Minha cunhada tem 21 anos, e sempre em Deus procurou obedecê-lo. Hoje, está em Curitiba, na base da JOCUM em Uberaba, fazendo treinamento para viajar numa rota chamada JUSTIÇA, e viajar por algumas cidades da China, Laos, Minamar e outros. Por um segundo, ela viu como Deus ver o pecador e isso foi o suficiente para mudar radicalmente a sua vida. Os ninivitas se arrependeram de suas atitudes. E uma cidade foi salva, pelo intermédio e obediência de um, Jonas. Você vai escrever seu nome nesta lista também? Ou vai perder também a sua segunda chance?
3. Ponto:
Deus estende a sua misericórdia e compaixão a todas as suas criaturas (Jn 4:10,11)
Tornou o Senhor: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e uma noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?
Deus faz nascer uma planta para livrar Jonas de seu desconforto. Dar um pouco de paz a Jonas depois de seus esforços e também de sua decepção, pois Deus se arrependera do mal que faria a cidade de Nínive, pois eles se arrependeram.
Deus manda um verme, que feri a planta até secá-la por completo e manda um vento calmoso oriental. O sol bate a cabeça de Jonas, de maneira que o desfalece e Jonas para si pede a morte. Descontente pelo que Deus havia lhe feito, tirando aquela árvore, Jonas prefere a morte. O “macho” mimado, como se fala aqui no Ceará. Egoísta, querendo que tudo se volte para si. Deus o pede para ir a Nínive, em primeira comissão, e prefere ir para outro lugar, achando que assim poderia fugir da presença de Deus, que Deus poderia deixá-lo em paz. E tudo aquilo acontece, alvoroço no mar, ventos fortes, Jonas é arremessado no mar e engolido por um peixe enorme e só ali, naquela situação asquerosa reconhece que agiu errado e assim redime-se com Deus. É dado a ele uma nova oportunidade de ir a Nínive e abrir-lhe os olhos, e assim o fez, mesmo entristecendo-se depois, pois desde então sabia que Nínive se arrependeria e Deus não mais lhe enviaria o mal. E nós sabemos que Deus em nenhum momento precisa de nós, mas a sua compaixão e misericórdia são tremendas que ele tem o prazer e a alegria de nos fazer participantes, dando-nos o privilégio de falar a partir da mudança em nós, do seu amor. Deus poderia ter alcançado Nínive sem a participação de Jonas. É óbvio! Mas, para Deus alcançar Nínive teria um sentido melhor se houvesse a intermediação daquele profeta, mesmo pecador, nutrido pelo egoísmo, restrito, falho, etc. Jonas tanto foi o missionário, quanto o alvo da missão. Durante esse tempo que fora comissionado, ele viu a misericórdia e compaixão de Deus para com Nínive, mas não conseguia enxergar que Deus também tinha misericórdia e compaixão dele. Engraçado que Jonas mesmo vivenciado várias situações da misericórdia de Deus, Jonas não conseguia mensurar que para Deus ainda era possível enviar-lhe algo que pudesse trazer-lhe novamente conforto, mas preferiu murmurar. Dar grande valor a uma planta, para seu próprio “frisson”, que nem foi fruto de seu trabalho, ao invés de valorizar as cento vinte mil ninivitas que o próprio Deus criara e conhecia. Não sabemos se Jonas teve alguma outra missão, mas sabemos que Jonas a partir de então passara a se questionar acerca da misericórdia e compaixão de Deus e também sua, pois a frase que encerra o livro de Jonas deve ter ecoado em sua mente, durante anos. Toda vez, que se via murmurando, egoísta ou desobediente essa pergunta “Eu não hei de ter compaixão?” ecoava em sua mente e impulsionava a cumprir a vontade de Deus.
Deus entregou em nossas mãos uma incumbência. Talvez, eu não a tenha cumprido, ou até mesmo agido como Jonas agiu. Preferi esconder-me em meio aos meus pensamentos, por em risco a vida de alguém, pois somente eu e Deus sabemos. Mas, hoje Deus quer lhe dar uma nova chance. A chance de se redimir e fazer conforme a sua vontade, a vontade Deus. Jonas teve a missão de abrir os olhos de Nínive. Eu não sei para que Deus tem lhe chamado, mas sei que Deus tem lhe chamado para uma vida de compromisso com Ele, de intimidade. A você se olhar, e ver que tem muito a mudar, a se arrepender, e hoje Ele que te dar a segunda chance. Como no final do livro, Jonas foi o alvo da missão de Deus, de mostrar-lhe a sua misericórdia e compaixão. Você hoje está disposto a sentir a compaixão de Deus e cumprir essa segunda chance?
Por Eládio Batista
sexta-feira, outubro 24, 2008
Minha Linda Flor

Minha Linda Flor
Flor de Laranjeira,
Flor de Maracujá,
Flor de Liz.
Cruza o céu, meu Girassol,
Cor da primavera, Violeta,
Inocência Eterna, Margarida.
Minha Linda Flor
Não nasce em qualquer jardim
Precisa muita mais que água.
O calo humano é seu solo.
A companhia, seu sol.
Minha Linda Flor
Tem cor-de-Rosa
Tem o vermelho do amor.
Dá nome aos poetas,
É a Luz(Elem)
É uma Rosa.
By Karynne Batista e Famíla.
Tenho uma querida amiga, Elem Rosa, que faz dos dos nossos, dias com sol.
terça-feira, agosto 26, 2008
A BÍBLIA QUE SE ESQUECE É A QUE VALE

Memorizar versículos sempre foi uma prática distintiva dos protestantes. Uma memória com a promessa de municiar o crente para o enfrentamento da vida. Para cada situação há os recortes do texto bíblico capazes de diluir resistências, superar dúvidas, vencer embates pela razão, acalmar, motivar, consolar, sustentar o dono da memória enquanto vive.
Lembro dos cultos em que o louvor era seguido por um momento de recitação de versículos da Bíblia. Na Escola Bíblica, memorizar o versículo bíblico era condição para uma aula bem sucedida. O bom “evangelista”, este conquistador de adesões, destacava-se pela habilidade de sacar o texto, com a devida referência bíblica, apropriado para cada contestação dos resistentes à pregação. Uma pregação bíblica confunde-se entre protestantes com uma pregação que cita muitos textos bíblicos, mesmo que a exposição das idéias mostre-se rasa ou um lugar comum.
A mania de memória além de carregar a crença acrítica de que o conhecimento imediato do texto é posse plena da verdade, desprezando a mediação dos conceitos, também expõe a falência do projeto de quem dela faz uso: a busca desesperada de memória. Buscamos memória porque perdemos a presença. Quanto menos há, de mais lembrança carecemos. Quem faz o álbum das fotos é quem encerrou as férias. Quem, além do apaixonado por fotografia, gasta as suas férias para apreciar as fotos que dela está fazendo? O fato presente prescinde de memória. Ninguém precisa lembrar do que ainda está fazendo. Fixam-se lembranças do que agora está vazio.
Ninguém precisa se lembrar do que presencia. E quanto mais presentes nós estamos em um movimento mais dele nos esquecemos. A melhor imagem que me ocorre é a do motorista. Dirige bem quem se esquece dos mecanismos da direção e se ocupa tão somente do trânsito. Quem é o bom motorista? O que precisa listar de memória cada movimento do câmbio e sua sincronia com os pedais, ou quem o faz sem sequer se dar conta de que pressiona o pedal da embreagem à medida que encaixa a próxima marcha? Aprendemos a dirigir quando nos esquecemos dos mecanismos da direção enquanto dirigimos.
É assim com tudo o que é presente na vida. Quanto mais presente e pertencente a nós algo é mais dele nos esquecemos. É assim quando lemos, quando fazemos cálculos, quando jogamos, quando fazemos sexo, quando comemos, quando vivemos.
A dor é outro exemplo. Não nos lembramos das partes do corpo se com elas está tudo bem. Quando nos lembramos do dente é porque ele está doendo. A lembrança no corpo é sua doença.
Não pode ser diferente com a Bíblia. Ela é uma literatura que de tão identificada com a nossa vida é viva. Sua memorização é certificação de seu adoecimento ou morte. Sua presença em nossa prática, relações, escolhas, sentimentos, moralidade, afeições, é proporcional ao seu esquecimento. Se pudermos falar de uma mente bíblica, ou de viver biblicamente, diremos que uma prática bíblica é a que da Bíblia não precisa fazer referência para por ela ser afetada. Pois o que precisa ser ritualmente memorado está longe, tanto quanto se esquece de algo de tão presente que se faz.
Niezsche denuncia a memória como um mal humano na Segunda Dissertação da sua Genealogia da Moral. Chama a memória de desejo de controle do futuro. Precisamos de memória porque na ânsia de controlar o futuro fazemos promessas e com elas comprometemos nossa existência com o que não está mais presente. Essa necessidade de memória impede o esquecimento como o corpo doente é impedido da digestão. O indivíduo que busca a memória é como o apéptico, o que não faz digestão, regurgitando idéias mortas, ressentindo o que já passou.
A melhor Bíblia é a que esquecemos de tão digerida e absorvida por nossa vivência. A Bíblia que precisa ser memorizada é uma porção indigesta. Nem poderia ser diferente. Transformá-la em uma coleção sistemática, simétrica e absoluta de verdades é roubá-la de sua digestibilidade, sua profunda e radical penetração em nossa vida. A Bíblia que deixa de ser literatura, visto que é essencialmente narrativa e poética, torna-se morta de tão distante e estática. Um clamor desesperado à memória. Um mortuário da fé.
A Bíblia que está de fato em nós é a que esquecemos. De tanto que faz sentido. De tanto que nos permeia.
Lembro dos cultos em que o louvor era seguido por um momento de recitação de versículos da Bíblia. Na Escola Bíblica, memorizar o versículo bíblico era condição para uma aula bem sucedida. O bom “evangelista”, este conquistador de adesões, destacava-se pela habilidade de sacar o texto, com a devida referência bíblica, apropriado para cada contestação dos resistentes à pregação. Uma pregação bíblica confunde-se entre protestantes com uma pregação que cita muitos textos bíblicos, mesmo que a exposição das idéias mostre-se rasa ou um lugar comum.
A mania de memória além de carregar a crença acrítica de que o conhecimento imediato do texto é posse plena da verdade, desprezando a mediação dos conceitos, também expõe a falência do projeto de quem dela faz uso: a busca desesperada de memória. Buscamos memória porque perdemos a presença. Quanto menos há, de mais lembrança carecemos. Quem faz o álbum das fotos é quem encerrou as férias. Quem, além do apaixonado por fotografia, gasta as suas férias para apreciar as fotos que dela está fazendo? O fato presente prescinde de memória. Ninguém precisa lembrar do que ainda está fazendo. Fixam-se lembranças do que agora está vazio.
Ninguém precisa se lembrar do que presencia. E quanto mais presentes nós estamos em um movimento mais dele nos esquecemos. A melhor imagem que me ocorre é a do motorista. Dirige bem quem se esquece dos mecanismos da direção e se ocupa tão somente do trânsito. Quem é o bom motorista? O que precisa listar de memória cada movimento do câmbio e sua sincronia com os pedais, ou quem o faz sem sequer se dar conta de que pressiona o pedal da embreagem à medida que encaixa a próxima marcha? Aprendemos a dirigir quando nos esquecemos dos mecanismos da direção enquanto dirigimos.
É assim com tudo o que é presente na vida. Quanto mais presente e pertencente a nós algo é mais dele nos esquecemos. É assim quando lemos, quando fazemos cálculos, quando jogamos, quando fazemos sexo, quando comemos, quando vivemos.
A dor é outro exemplo. Não nos lembramos das partes do corpo se com elas está tudo bem. Quando nos lembramos do dente é porque ele está doendo. A lembrança no corpo é sua doença.
Não pode ser diferente com a Bíblia. Ela é uma literatura que de tão identificada com a nossa vida é viva. Sua memorização é certificação de seu adoecimento ou morte. Sua presença em nossa prática, relações, escolhas, sentimentos, moralidade, afeições, é proporcional ao seu esquecimento. Se pudermos falar de uma mente bíblica, ou de viver biblicamente, diremos que uma prática bíblica é a que da Bíblia não precisa fazer referência para por ela ser afetada. Pois o que precisa ser ritualmente memorado está longe, tanto quanto se esquece de algo de tão presente que se faz.
Niezsche denuncia a memória como um mal humano na Segunda Dissertação da sua Genealogia da Moral. Chama a memória de desejo de controle do futuro. Precisamos de memória porque na ânsia de controlar o futuro fazemos promessas e com elas comprometemos nossa existência com o que não está mais presente. Essa necessidade de memória impede o esquecimento como o corpo doente é impedido da digestão. O indivíduo que busca a memória é como o apéptico, o que não faz digestão, regurgitando idéias mortas, ressentindo o que já passou.
A melhor Bíblia é a que esquecemos de tão digerida e absorvida por nossa vivência. A Bíblia que precisa ser memorizada é uma porção indigesta. Nem poderia ser diferente. Transformá-la em uma coleção sistemática, simétrica e absoluta de verdades é roubá-la de sua digestibilidade, sua profunda e radical penetração em nossa vida. A Bíblia que deixa de ser literatura, visto que é essencialmente narrativa e poética, torna-se morta de tão distante e estática. Um clamor desesperado à memória. Um mortuário da fé.
A Bíblia que está de fato em nós é a que esquecemos. De tanto que faz sentido. De tanto que nos permeia.
Por Elienai Cabral Júnior
segunda-feira, agosto 25, 2008
Cada teologia tem a sociedade que merece.

O cristão precisa situar-se no mundo em que vive.
Jesus orou para que, estando no mundo, ficássemos livres do mal, mas parece que insistimos em sair do mundo e continuar com o mal. Afastamo-nos das formas culturais como se fossem malignas por si mesmas, mas permitimos que valores errados nos influenciem, desde que tomem formas religiosas. Afastamo-nos também das indagações do mundo. Como disse alguém: dizemos que Cristo é a resposta, mas para qual pergunta? Já não conhecemos as perguntas que o mundo nos faz.
Vamos investigar uma idéia que é constante no cinema atual: carma ou escolha. Existe o livre-arbítrio ou seguimos um destino pré-determinado? Vários filmes recentes tratam do assunto. Talvez seja um sinal de que esta nossa megacultura ocidental está descobrindo suas fraquezas, precisando se reinventar, e busca subsídios teológicos para isso.
Um desses filmes, o mais poderoso em formar pensamentos, é a série “Matrix”. O primeiro virou “cult”, filme cheio de inovações gráficas e de pseudo-enigmas; digo pseudo porque o segundo filme responde a todos eles e revela o balaio de gato sem fim que é o mundo de “Matrix”. Se o primeiro deixou dúvidas quanto à filosofia dos autores, o segundo traz tudo às claras. Quando Neo (Keanu Reaves) finalmente encontra o “Arquiteto” (que, na cabeça dos diretores delirantes, deve ser uma mistura de Deus como foi retratado por Michelangelo na capela Sistina, e de Bill Gates), este discursa longamente sobre o livre-arbítrio. Propõe que o grande problema do messias é o livre-arbítrio. Ele tem capacidade de escolha, e a usa mal, o que o coloca num círculo infinito de novas tentativas, forçado a repetir o mesmo destino cármico de fracasso, deixado pelo que veio antes dele… Sei lá se entendi mesmo essa bagunça hinduísta-exotérica-digital, que é o retrato perfeito do pós-modernismo. Mas esse vale-tudo filosófico traz à cabeça da geração atual uma importante pergunta: podemos escolher nosso destino? Ou temos apenas uma falsa sensação de liberdade, criada pelo arquiteto sádico desta matrix em que vivemos?
A história de “Minority Report”, de Spielberg, é mais simples. Num futuro não muito distante decide-se testar um programa para evitar assassinatos. O programa é parte da polícia local, chamada Divisão Pré-crimes, que se baseia em informações transmitidas por três videntes, chamados Precogs. Os videntes são capazes de ver os crimes antes de acontecerem. A polícia corre ao local e evita o crime, prendendo o pré-criminoso, que é tratado como um criminoso de fato, apesar de não ter cometido nenhum homicídio.
A história esquenta quando os videntes têm uma premonição de um crime que o próprio chefe da polícia John Anderton (Tom Cruise) cometeria. As imagens dele matando um homem que ele nem mesmo conhecia aparecem na tela das premonições. O feitiço se volta contra o feiticeiro. O chefe dedicado se vê vítima do sistema no qual confiava plenamente. De acordo com este sistema, um pré-criminoso é um criminoso real, porque o futuro visto pelos videntes é tratado como uma realidade inexorável.
Alguns teólogos já disseram que se o futuro é conhecido (seja por Precogs ou por Deus), o livre-arbítrio não existe de fato. Tudo obedece a um desenho previamente feito — uma vontade soberana que engole todas as outras vontadezinhas em seu grande útero.
Essa “teologia” gera a sociedade do pré-crime. A predeterminação torna essa utopia possível, até desejável. Basta que conheçamos o destino programado para cada um e nos encarreguemos de protegê-lo desse destino, prendendo pré-assassinos, eliminando intra-uterinamente alguns indivíduos cujo mal inerente o justifique. Se os Precogs conseguissem prever um novo Hitller ou um novo Saddam, sua eliminação seria automática.
Esse futuro pode estar mais perto do que imaginamos. A genética moderna sofre da mesma síndrome dos Precogs. Alguns cientistas afirmam que existem genes responsáveis por comportamentos morais. No futuro, um exame de sangue poderá nos dar as dicas que precisamos, poderá desenhar o perfil do indivíduo — se assassino, estuprador ou franco-atirador. Será um mundo limpo. Um hemograma, um perfil genético, e a sociedade do pré-crime se arma de razões para processar, prender e até eliminar seres humanos.
Essa utopia é um produto direto de nossa teologia cristã. Somos o que cremos. Nossas crenças são a base de tudo o que construímos. A teologia da predeterminação está no coração da cultura ocidental, desde Philo e Agostinho. Também está no coração das sociedades islâmicas fundamentalistas, absolutas e totalitárias: “Maktub” — está escrito. Será Deus o mesmo Alá?
Mas, e se fosse diferente? Se, em vez de teologarmos e filosofarmos, acreditássemos puramente na Bíblia? Ela diz que Deus se arrependeu de ter feito o homem (Gn 6.6). Ao descobrir que o ser livre que havia criado escolheu negar-lhe amor e ainda afrontá-lo com uma impiedade além de todos os limites, Ele sofreu. Sofreu tanto quanto um homem que, tendo tirado uma mulher da mais suja lama moral, drogada, suja, prostituída, se casa com ela, tem filhos, constitui uma família. Um dia este homem chega em casa e não vê sua esposa. Ela voltou para as ruas. Preferiu a lama, as drogas, o sofrimento degradante. O marido sofre agora, não por si mesmo, mas pelo destino que sua amada escolheu e que a fará sofrer. Essa é a metáfora proposta por Deus para falar de seu amor pelo povo de Israel, no livro de Oséias. Alguns teólogos que me desculpem, mas esta não é a imagem de um Deus-Alá indiferente e soberano sobre a vontade humana.
Todas estas, além de inúmeras outras passagens literais e metafóricas da Bíblia, perdem o sentido se o futuro for causado, se o livre-arbítrio humano não for real, mas um artifício divino para nos dar apenas a impressão de liberdade. A Bíblia passa a ser um livro sobre a grande matrix ilusória de Deus, e não o livro destinado a nos descortinar a verdade sobre o amor de um Deus que espera para ser amado, que nos pede para escolher a bênção em vez da maldição.
Engraçado que, diferente dos idealizadores de “Matrix”, o judeu Steven Spielberg escolhe como final esta última versão da verdade sobre o ser humano. No final a sociedade do “Minority Report” redescobre que é livre. O chefe da polícia, quando encara face a face o seu próprio crime, é surpreendido pela voz da vidente que lhe diz: “Não! Você é livre para não matá-lo.” O próprio criador do sistema, Lamar (Max von Sydow), que por anos seguidos prendeu pré-criminosos, também se vê de frente com o seu próprio destino. A visão de seu pré-crime aparece na tela. Com uma arma na mão, encara Anderton, que lhe diz: “Se você me matar, vai para a cadeia, mas prova para todos que você está certo”.
No entanto, ele próprio se sabe livre e atira contra si mesmo, numa confissão desesperada de fracasso. A sociedade se liberta da arbitrariedade do pré-crime, antes consagrada como a solução de todos os males. Os pré-criminosos voltam às ruas e deixam de pagar pelo que poderiam ter feito, mas nunca fizeram. E todos respiram aliviados por se verem restaurados novamente à sua dignidade de seres humanos no comando de seu destino.
Ligados a uma rede de fios, mergulhados numa piscina azulada que lhes mantinha aquecidos, os Precogs eram uma visão grotesca no início do filme. O local onde ficavam chamava-se templo e não era visitado por ninguém. Eles não eram capazes de interagir. Sua única função era prever o futuro. Eram três, uma trindade divinizada (coincidência?) e seus policiais do pré-crime eram chamados de sacerdotes. No fim, invalidadas suas previsões, recobram sua humanidade e voltam a viver como qualquer outro ser humano, numa metáfora que me faz pensar em Salmos 78.41, Isaías 53, Lucas 23 e tantas outras passagens que nos mostram o Deus supremo limitando-se em seu próprio poder por nos ter feito livres e sujeitando-se à morte na cruz para assim, apesar de nossas escolhas erradas, poder nos redimir.
Se verdadeiro livre-arbítrio implica uma definição diferente para a onisciência divina não me importa. Se o livre-arbítrio respalda a idéia da meta-história, que se desenrola para Deus na eternidade e para os homens na terra, numa interação dinâmica e temporal da divindade com a humanidade, também não me importa. Se é armeniana ou calvinista esta idéia não me importa. Como os judeus, povo tribal sem pretensões filosóficas, não pretendo dissecar Deus e sua vontade como se disseca um defunto numa aula de anatomia. Para mim, a teologia verdadeira é aquela que me aproxima dele e de seu amor.
Spielberg tem razão em sua crítica às incoerências da teologia cristã. O Deus do Antigo Testamento não escolheu o caminho mais simples, o de eliminar a possibilidade do mal, criando um jardim perfeito de autômatos sem vontade. Conviver com a possibilidade do mal, permitindo-nos ser capazes de discernir e escolher entre o bem e o mal, foi um caminho mais arriscado, mas que tornou possível o amor. Que Deus nos permita continuar crendo nisso. Cada teologia tem a sociedade que merece. Uma proposta “teo-filosófica” diferente poderia mudar o futuro do mundo? Resta a nós, cristãos, decidirmos.
Por, Braúlia Ribeiro
Braulia Ribeiro - Pioneira no Norte do Brasil trabalhando entres tribos indígenas, é missionária de Jovens Com Uma Missão desde 1980. Formada em Etno-lingüística pela University of the Nations no Havaí, e com mestrado em Lingüística Antropológica pela Universidade Federal de Rondônia dá assistência lingüística e antropológica às equipes que trabalham nas tribos e é coordenadora acadêmica do campus da Universidade das Nações em Porto Velho. É casada com Reinaldo Ribeiro e juntos lideram o Ministério Transcultural em Porto Velho-RO. Leia também seus artigos na revista Ultimato.
Messias Modernos

O missionário que trabalha numa agência interdenominacional não traz o devido retorno à igreja ou igrejas que o enviaram. Algumas vezes, se ele está muito distante ou se comunica pouco, o relacionamento se descolore com o tempo e ele é mal compreendido. Torna-se quase uma culpa que alguns carregam, ou um peso financeiro, facilmente substituível pela necessidade de um projetor novo, mais cadeiras ou por um obreiro assalariado para a congregação.
Conheço famílias que foram abandonadas no campo sem aviso prévio. De repente a mesada parou de chegar. Descobriram, depois, que uma decisão da hierarquia da denominação mudou as regras do jogo e decidiu cortá-los da folha de ofertas. Por vergonha ou por falta de interesse, ninguém se deu ao trabalho de comunicar aos missionários. Alguns voltaram, outros ficaram porque a fonte é sempre o Senhor, e não faz parte de seu caráter desamparar ninguém.
A igreja local empenhada cobra resultados espirituais “concretos”, números de convertidos, de batismos, de células de estudo. Há missionários que contam até as pedras do caminho para prestar contas. Outros gastam boa parte de seu tempo bolando maneiras de “comunicar” melhor, pintando de cores vivas demais o trabalho, traduzindo seu dia-a-dia em espiritualês (este é um dom que eu gostaria de ter). Outros, ainda, tentam educar os mantenedores falando a verdade: “Hoje passei o dia cozinhando e lavando panelas para que os índios de dez tribos diferentes que aqui estão possam ter aulas sobre cidadania”. Uma frase assim não rende dividendos. Nem “cozinhar”, nem “lavar panelas” nem “cidadania” é espiritualês.
Uma certa dramaticidade parece necessária. Muitos missionários escrevem cartas que são rosários de lágrimas — descrições infindáveis dos horrores do campo, das doenças, da impiedade do povo. A postura messiânica é essencial: “Se não fosse o meu trabalho ou de minha família, o que seria destes pobres selvagens, destas garotas prostitutas, destes perversos muçulmanos?”. A história do mês tem que ser a mais emocionante possível, extraída de um cotidiano tedioso. Bolsos também são abertos com lágrimas. É o evangelho jogando no mercado de capitais da pobreza.
Infelizmente nem a missão nem a igreja (generalizando grosseiramente) têm consciência da importância do evangelho no contexto geopolítico atual. Se somos chamados ao amor e não ao proselitismo, nos tornamos produto único no mercado. Não temos time a defender a não ser a pessoa de Jesus, a compaixão dele, a cura dos ódios sociorreligiosos-raciais que só ele pode providenciar. Soube por uma pessoa que uma tradução do Evangelho de Mateus feita dois séculos antes de Maomé foi encontrada em uma língua popular do Oriente. Muçulmanos ultra-radicais, sabendo disto, pediram: “Por favor, nos ajudem a recuperar o Jesus que o Ocidente nos tirou; queremos conhecê-lo”.
O Jesus do mercado carrega marcas na camisa como jogadores de futebol; o verdadeiro fala com todas as línguas, culturas e religiões. A missão que tem consciência geopolítica sabe de sua função de linha de segurança que mantém num fino equilíbrio situações tão perigosas quanto uma granada sem pino. A igreja que tem esta consciência não consegue cobrar placas, ou prosélitos. Ela sabe que enviou uma ovelha ao meio de lobos, para “apenas” ensinar futebol, dar aulas, acalentar crianças, tratar malárias e HIV, andar de burca, atrás da cortina negra, para, quem sabe, com auto-sacrifício, trabalho e muita sabedoria, exercer o doce-azedo ministério da reconciliação.
• Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Ed. Ultimato). braulia_ribeiro@yahoo.com
Conheço famílias que foram abandonadas no campo sem aviso prévio. De repente a mesada parou de chegar. Descobriram, depois, que uma decisão da hierarquia da denominação mudou as regras do jogo e decidiu cortá-los da folha de ofertas. Por vergonha ou por falta de interesse, ninguém se deu ao trabalho de comunicar aos missionários. Alguns voltaram, outros ficaram porque a fonte é sempre o Senhor, e não faz parte de seu caráter desamparar ninguém.
A igreja local empenhada cobra resultados espirituais “concretos”, números de convertidos, de batismos, de células de estudo. Há missionários que contam até as pedras do caminho para prestar contas. Outros gastam boa parte de seu tempo bolando maneiras de “comunicar” melhor, pintando de cores vivas demais o trabalho, traduzindo seu dia-a-dia em espiritualês (este é um dom que eu gostaria de ter). Outros, ainda, tentam educar os mantenedores falando a verdade: “Hoje passei o dia cozinhando e lavando panelas para que os índios de dez tribos diferentes que aqui estão possam ter aulas sobre cidadania”. Uma frase assim não rende dividendos. Nem “cozinhar”, nem “lavar panelas” nem “cidadania” é espiritualês.
Uma certa dramaticidade parece necessária. Muitos missionários escrevem cartas que são rosários de lágrimas — descrições infindáveis dos horrores do campo, das doenças, da impiedade do povo. A postura messiânica é essencial: “Se não fosse o meu trabalho ou de minha família, o que seria destes pobres selvagens, destas garotas prostitutas, destes perversos muçulmanos?”. A história do mês tem que ser a mais emocionante possível, extraída de um cotidiano tedioso. Bolsos também são abertos com lágrimas. É o evangelho jogando no mercado de capitais da pobreza.
Infelizmente nem a missão nem a igreja (generalizando grosseiramente) têm consciência da importância do evangelho no contexto geopolítico atual. Se somos chamados ao amor e não ao proselitismo, nos tornamos produto único no mercado. Não temos time a defender a não ser a pessoa de Jesus, a compaixão dele, a cura dos ódios sociorreligiosos-raciais que só ele pode providenciar. Soube por uma pessoa que uma tradução do Evangelho de Mateus feita dois séculos antes de Maomé foi encontrada em uma língua popular do Oriente. Muçulmanos ultra-radicais, sabendo disto, pediram: “Por favor, nos ajudem a recuperar o Jesus que o Ocidente nos tirou; queremos conhecê-lo”.
O Jesus do mercado carrega marcas na camisa como jogadores de futebol; o verdadeiro fala com todas as línguas, culturas e religiões. A missão que tem consciência geopolítica sabe de sua função de linha de segurança que mantém num fino equilíbrio situações tão perigosas quanto uma granada sem pino. A igreja que tem esta consciência não consegue cobrar placas, ou prosélitos. Ela sabe que enviou uma ovelha ao meio de lobos, para “apenas” ensinar futebol, dar aulas, acalentar crianças, tratar malárias e HIV, andar de burca, atrás da cortina negra, para, quem sabe, com auto-sacrifício, trabalho e muita sabedoria, exercer o doce-azedo ministério da reconciliação.
• Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Ed. Ultimato). braulia_ribeiro@yahoo.com
sexta-feira, junho 13, 2008
“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez” Jean Cocteau

Esse é um texto do informativo dominical da Betesda Abolição em Fortaleza, escrito por uma amiga muito querida.
Delicie com uma boa leitura.
Delicie com uma boa leitura.
“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”
Jean Cocteau
Cada um escolhe o seu caminho., alguns vão descobrindo que existir pode ser perigoso e cansativo então passam a olhar com suspeita as alegrias e belezas na estrada.
Outros são acolhidos a não ir muito longe porque a vida reserva surpresas inimagináveis, aprendem a não se arriscar, preferem ficar seguros em seus castelos de sonhos.
Há uns cuja percepção ficou embotada pelos desencantos nas primeiras viagens, esses se deixam amargar e costumam culpar Deus e os outros por suas desilusões.
Mas existem os que mesmo tendo experimentado confusões, desapontamentos e traições ousam sair por aí pra conhecer velhas estradas, e dar-lhes novos sentidos e viver de fato com toda intensidade que for possível.
Não são pessoas com uma imunidade especial, vez por outra passam maus pedaços, mas não sucumbem. Isso enriquece a trama. Se arrepiam ao contar. Também experimentaram os frutos amargos da dificuldade, em certas ocasiões deixam escapar histórias que fazem brotar lágrimas dos olhos mais áridos.
Conheceram o rosto da indiferença naqueles que poderiam fazer a diferença.
Aprenderam que os amigos são a família que escolhemos e que ao invés de ficar catalogando as tragédias já vividas, resignificam os sentimentos e contam os dias com coração sábio. Esses são admiráveis porque não legitimam suas fraquezas com um discurso que projeta nos outros a culpa.
Eles são entusiasmados, contagiam a nossa vida com a vontade de viver deles. Não desistam de um plano porque parece difícil. São determinados e possuem estratégias. Mas não se tornam inflexíveis, pois precisam de todas as articulações, tanto físicas quanto mentais e emocionais pra poder romper os desafios.
Prestam muita atenção no todo, mas observam formigas trabalhadeiras, mulheres cozinheiras, homens na ribeira, crianças na cumeeira, são poetas da vida. Fazem sua rimas e arquivam imagens no coração, fazem um montão de resenhas pra presentear outros irmãos com suas conclusões.
Saem tão despojados que cativam pela simplicidade. Não os subestimem, eles são grandes, é que não precisam provar pra ninguém. Não carregam grandes mochilas, levam consigo a dignidade da responsabilidade de viver a liberdade. Isso é o essencial. O resto eles encontram pelo caminho: generosidade, gratidão, empatia, tudo em forma de gente, gente que expressa amor através de ações. Amor que age. Que dá comida ao faminto, água ao sedento, cobertor na noite fria, toalhas limpas e sabonete. E o mais importante: a riqueza da amizade que fica. Vai embora, mas deixa a lembrança recheada de histórias e uma sensação curiosa de que já somos amigos há um tempão.
Jesus se revela nesses e é melhor dar-lhes atenção. Pois isso fará toda a diferença quanto formos acertar as contas com o Altíssimo.
Elem Rosa Marques Vieira
Jean Cocteau
Cada um escolhe o seu caminho., alguns vão descobrindo que existir pode ser perigoso e cansativo então passam a olhar com suspeita as alegrias e belezas na estrada.
Outros são acolhidos a não ir muito longe porque a vida reserva surpresas inimagináveis, aprendem a não se arriscar, preferem ficar seguros em seus castelos de sonhos.
Há uns cuja percepção ficou embotada pelos desencantos nas primeiras viagens, esses se deixam amargar e costumam culpar Deus e os outros por suas desilusões.
Mas existem os que mesmo tendo experimentado confusões, desapontamentos e traições ousam sair por aí pra conhecer velhas estradas, e dar-lhes novos sentidos e viver de fato com toda intensidade que for possível.
Não são pessoas com uma imunidade especial, vez por outra passam maus pedaços, mas não sucumbem. Isso enriquece a trama. Se arrepiam ao contar. Também experimentaram os frutos amargos da dificuldade, em certas ocasiões deixam escapar histórias que fazem brotar lágrimas dos olhos mais áridos.
Conheceram o rosto da indiferença naqueles que poderiam fazer a diferença.
Aprenderam que os amigos são a família que escolhemos e que ao invés de ficar catalogando as tragédias já vividas, resignificam os sentimentos e contam os dias com coração sábio. Esses são admiráveis porque não legitimam suas fraquezas com um discurso que projeta nos outros a culpa.
Eles são entusiasmados, contagiam a nossa vida com a vontade de viver deles. Não desistam de um plano porque parece difícil. São determinados e possuem estratégias. Mas não se tornam inflexíveis, pois precisam de todas as articulações, tanto físicas quanto mentais e emocionais pra poder romper os desafios.
Prestam muita atenção no todo, mas observam formigas trabalhadeiras, mulheres cozinheiras, homens na ribeira, crianças na cumeeira, são poetas da vida. Fazem sua rimas e arquivam imagens no coração, fazem um montão de resenhas pra presentear outros irmãos com suas conclusões.
Saem tão despojados que cativam pela simplicidade. Não os subestimem, eles são grandes, é que não precisam provar pra ninguém. Não carregam grandes mochilas, levam consigo a dignidade da responsabilidade de viver a liberdade. Isso é o essencial. O resto eles encontram pelo caminho: generosidade, gratidão, empatia, tudo em forma de gente, gente que expressa amor através de ações. Amor que age. Que dá comida ao faminto, água ao sedento, cobertor na noite fria, toalhas limpas e sabonete. E o mais importante: a riqueza da amizade que fica. Vai embora, mas deixa a lembrança recheada de histórias e uma sensação curiosa de que já somos amigos há um tempão.
Jesus se revela nesses e é melhor dar-lhes atenção. Pois isso fará toda a diferença quanto formos acertar as contas com o Altíssimo.
Elem Rosa Marques Vieira
domingo, setembro 23, 2007
Os Poemas - Esconderijo do Tempo

Os poemas são pássaros que chegam
Não se sabe de onde e pousam
No livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
Como de um alçapão.
Eles não têm pouso
Nem porto
Alimentam-se um instante de cada par de mãos
E partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
No maravilhoso espanto de saberes
Que o alimento deles já estavam em ti...
Mário Quintana
terça-feira, setembro 18, 2007
“SER CRISTÃO É CHIC”

Glória Kalil, uma das maiores autoridades brasileiras sobre etiqueta e moda, lançará em outubro um livro chamado: Alô, chics!
Nesse livro Glória Kalil relata sobre a necessidade de ética e etiqueta na vida moderna.
“Estamos num desses momentos da história em que tentar qualquer requinte é uma luta! É difícil até mesmo saber o que é chic. Há uma supervalorização da imagem, da aparência, dinheiro e visibilidade... a qualquer custo. Os egos estão em pleno delírio e não enxergam nada além do próprio umbigo (...) Quando se fica reduzido a uma só imagem – a própria figura no espelho – e se perde a perspectiva do outro, da totalidade, a vida fica limitada, pobre. Sem chance de ser chic. O que é uma pena.”
E, mais adiante:
“Está mais do que na hora de dar um parada, de reorganizar e dar sentido aos códigos e valores que andam por aí. Um pouco mais abertura, curiosidade e civilidade não faria mal a ninguém.”
Em outras palavras: “ Só é chic quem é civilizado.”
Nesse livro Glória Kalil relata sobre a necessidade de ética e etiqueta na vida moderna.
“Estamos num desses momentos da história em que tentar qualquer requinte é uma luta! É difícil até mesmo saber o que é chic. Há uma supervalorização da imagem, da aparência, dinheiro e visibilidade... a qualquer custo. Os egos estão em pleno delírio e não enxergam nada além do próprio umbigo (...) Quando se fica reduzido a uma só imagem – a própria figura no espelho – e se perde a perspectiva do outro, da totalidade, a vida fica limitada, pobre. Sem chance de ser chic. O que é uma pena.”
E, mais adiante:
“Está mais do que na hora de dar um parada, de reorganizar e dar sentido aos códigos e valores que andam por aí. Um pouco mais abertura, curiosidade e civilidade não faria mal a ninguém.”
Em outras palavras: “ Só é chic quem é civilizado.”
Quando li essas afirmações lembrei-me automaticamente de uns textos chics, de um livro de “etiqueta social”, a Bíblia. Em Gl. 5, fala sobre o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio, mas lá na frente ... enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos... É ou não é chic!
Parece que todas as “regras de etiqueta” estão na Bíblia, se as cumprirmos, viveremos melhor e teremos um mundo melhor. Nem que o “mundo” seja as 5 pessoas que trabalham em nosso departamento, ou mesmo nossa família, ou qualquer outro setor da sociedade onde estamos inseridos. Nada utópico, realidade mesmo!
Às vezes, esquecemos que não podemos dirigir sem cinto de segurança, nem usar o celular ao volante, nem jogar objetos para fora do carro, nem mesmo paramos na faixa de retenção para que o pedestre passe tranquilamente. Buzinamos insistentemente para o carro da frente seguir e depois falamos: Sai da frente mané! Tirou a carta por telefone! Só podia ser mulher!
Algumas regrinhas de trânsito são apenas regras de educação, mas porque nós cristãos que temos a mente transformada e renovada agimos como todos?
“ Só é chic quem é civilizado!”
Essa regrinhas de civilização estão na Bíblia, com outras palavras: “Fazei o bem”; “Tende paz com todos...” ; “Com humildade e mansidão, suportai os outros em amor”; e ainda “Longe de vós toda cólera, gritaria ...”; “Seja a vossa moderação conhecida”; “A vossa palavra seja agradável” e tantas outras.
Podemos ser “modelos” de cidadãos relevantes numa sociedade caótica, sem ética ou escrúpulos; Podemos ser “modelos” de cristãos civilizados num mundo desordenado e sem valores morais.
A proposta de Jesus, não é só salvar o homem do pecado, mas também da imagem distorcida que o pecado causou, afinal, fomos criados a sua imagem e semelhança.
A proposta do cristão civilizado e cidadão relevante é tornar possível, como co-participante do Reino, a proposta "salvatória" e de "dignitude" em Jesus.
Afinal, “SER CRISTÃO É CHIC”
Por Karynne Batista
sábado, setembro 08, 2007
A vocês!!!

Quando vemos nossos filhos dormindo ficamos envaidecidos, porque conseguimos admirar cada detalhe de seus rostos angelicais.
Admiramos Bia, tão esperta e viva, mas que muitas vezes se mostra tímida, e usa a tática que sua mãe ensinou: "A timidez é um "bichinho" bem pequeno.Põe na boca, mastiga e joga fora!".
Admiramos Lipe, tão carismático e carinhoso, que se encanta com a música e por ela é embalado, mas muitas vezes se mostra inseguro.
É estranho ... consigo ver nossos rostos, nos rostos deles.
Eles repetem nossos gestos, parecem até caricaturas, no entanto, são únicos, são: BIA e LIPE.
Vemos o presente, como eles são e vilusbramos em Deus o futuro.
....uma Bia, esperta e viva que não precisa mais comer o "bichinho da timidez", uma mulher linda de olhos grandes e brilhantes, com seus cacheados, que por ser esperta e viva consegue detectar a necessidade e carência do próximo, consegue transmitir verbalmente suas convicções.
Queremos que nossa princesa seja o melhor que possa ser em Deus; que seja o prazer e filha amada!
Vislumbramos Lipe, carismático e simpático, influenciando as pessoas, seguro de si, pronto a amar e perdoar, quebrantado e ousado.
Pronto a ouvir e respeitar o pensamento do outro e a contribuir para mudanças, assim como seu pai faz.
Vemos um homem forte que ama a música e seus sons, a dança e seus ritmos.
Que ainda garotinho cantarolava: "Eu quero ser amigo de Deus!"
Queremos que nosso garotão vivencie essa amizade e que Deus o chame: "Meu Amigo!"
Por Eládio e Karynne (Pais)
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